No mesmo dia em que se divulgou que o crescimento da economia brasileira deu um passo atrás ao registrar queda de 0,5% no terceiro trimestre, o ministro da Educação Aloizio Mercadante comemorou os números do ensino brasileiro de forma equivocada. Apesar de ter conseguido uma evolução significativa nos itens avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), o Brasil ainda está nas posições mais baixas do ranking. Entre os 65 países comparados, o Brasil ficou em 58º lugar.
A avaliação, feita pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), é aplicada a jovens de 15 anos a cada três anos. A pesquisa mede o desempenho dos estudantes em três áreas do conhecimento - leitura, matemática e ciências. Em 2009, o Brasil ficou na 54ª posição no ranking. Ou seja, perdeu três posições. Um dos pontos destacados em relação ao Brasil é o aumento percentual de estudantes matriculados. De acordo com o estudo, em 2003, 65% dos jovens com 15 anos frequentavam a escola. Em 2012, o País conseguiu matricular 78% dos adolescentes nessa faixa etária.
Apesar de estarmos apenas sete posições acima do último lugar, o Ministério da Educação comemorou ontem o resultado da avaliação. A evolução dos estudantes brasileiros, mesmo mantendo o País nas últimas posições do ranking, foi a maior entre todos os 65 avaliados. E para o ministro Aloizio Mercadante é um fato a ser comemorado. Há muito se sabe, porém, que quantidade não é indicador de qualidade. Do que adianta aumentar a inclusão se o ensino brasileiro é ruim e há muito a escola pública deixou de ser referência de aprendizado? Só poderemos comemorar quando o ensino público brasileiro estiver suprindo a necessidade dos estudantes em aprender. A partir do momento em que houver ganho de conhecimento, certamente os índices melhorarão e a escola brasileira poderá festejar a qualidade, o que não ocorre hoje.
Só destinar dinheiro para a manutenção da educação é muito pouco. Ainda existem no Brasil mecanismos capazes de desviar verbas que deveriam estar sendo utilizadas para melhorar o desempenho dos estudantes. E qualquer iniciativa que envolva a melhora educacional passa pela valorização dos professores, tanto salarial quanto de capacitação. Nos últimos tempos a importância do mestre na sala de aula vem sendo reduzida e a profissão, aviltada, perde qualquer estímulo que ainda poderia ter para prover seus alunos de conhecimento. Por isso, entendemos que a hora não é de comemoração.
Os números divulgados ontem deveriam ser o estopim de uma profunda reflexão de todos nós, cidadãos e autoridades brasileiras, sobre o que esperamos do ensino público. Para avançar, é necessário que se combatam todos os entraves que inviabilizam um ensino de qualidade no Brasil. A começar pela corrupção que corrói os orçamentos do setor, para que o investimento feito reflita na melhora da aprendizagem. Do contrário, continuaremos ostentando índices inexpressivos que são o sintoma mais claro do péssimo nível de aprendizado registrado hoje no Brasil.
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