A morte de Drielly Vitória Fortunato Motareli não só revoltou, como “destruiu” sua família. Na manhã de ontem, o velório de Drielly, no Leporace, era só desolação e choro. Mais de 100 pessoas compareceram para prestar as últimas homenagens à menina. Inconformados, familiares e vizinhos pediam respostas sobre o crime, já que, até então, o servente de pedreiro Aparecido Borges Teixeira, 51, ainda não havia sido capturado.
“Não é possível que ele vai colocar a cabeça no travesseiro e dormir sossegado. Ele não matou só a Drielly, matou a família inteira. Não existe mais vida para nós, ela era a nossa estrela, era ela que brilhava. Agora acabou”, disse a tia da menina, a dona de casa Erezita Molina Pinto, 50.
No momento do acidente, Drielly estava na casa da sua tia, a auxiliar do comércio Juliana Pires Motareli, 35, que criticou a polícia. “Não fizeram ronda para procurar esse cara, e nenhum policial ou perito compareceu ao local. Eles poderiam ter pego mais informações sobre o caso na hora, quando havia mais pessoas na rua”, disse. “(O motorista) é um monstro por ter feito essa maldade tão grande, ele acabou com a gente.”
Uma das primas da menina, a balconista Angélica Fortunato, 23, chegou a procurar o dono do bar onde o motorista supostamente estava bebendo, mas não conseguiu grandes esclarecimentos, já que o proprietário alegou não conhecê-lo. “Ele está acobertando o assassino de uma criança. Como que um cara chega num bar de uma vila pequena, bebe o dia inteiro e ninguém sabe quem ele é?”, questionou.
“Sentimos uma revolta muito grande. Mesmo que ele estivesse com a carta vencida ou bêbado, não podia ter omitido socorro. Queria que ele se apresentasse nem que fosse para eu perdoá-lo”, disse, em prantos, a tia da menina, a auxiliar de limpeza Sandra Fortunato, 50. O motorista foi pego horas depois.
‘Carinhosa’
A atividade que Drielly mais gostava de fazer era dançar funk. Segundo Erezita, ela também era muito fã de Lady Gaga, e adorava cantar músicas dela. Quando foi atropelada, a menina foi encontrada ao lado de um pedaço de metal, que era usado por ela como um microfone. “Ela era uma espoleta... Mas ela era tão meiga, tão carinhosa, fácil de fazer amizade”, disse Erezita.
Na sala de aula, ela era descrita como ativa, alegre, querida por todos, pela sua professora na Emeb “Odette do Nascimento”, Raquel Rodrigues, 47. “Como eu vou explicar a morte para os seus colegas de 6 anos amanhã (hoje)? (A omissão) foi um absurdo. Se tivessem socorrido, quem sabe ela estaria viva?.”
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