Os X men


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Em DVD/homenagem ao guitarrista Stevie Ray Vaughan, há um depoimento de Eric Clapton: ‘Quando toco guitarra, penso no próximo acorde de acordo com o resultado que quero obter. Levo uma fração de segundo. Stevie Ray não fazia isso. Quando tocava, um acorde seguia o outro naturalmente. Não precisava pensar para tocar. Era como se a guitarra fosse extensão de seu corpo.’

Conversei a respeito com Nuno Mindelis, outro guitarrista de primeira linha, e ele disse: ‘Subo no palco, começo a tocar, saio da realidade e entro em outro mundo. Penso diferente. É uma espécie de autismo.’ Steve Ray com a guitarra nas mãos era um autista. Nuno também é. Meu amigo Luis Tejon publicou artigo afirmando que Lionel Messi é autista. Escreveu: “Messi tem Síndrome de Asperger, autismo leve que o dota de talento de foco e concentração na repetição do que fazer para obter êxito nas jogadas. Tem o olhar que não olha, foca no objetivo de maneira completa. Também busca escapar de entrevistas, badalações sociais e mesmo na propaganda, pronuncia ‘listo’ (pronto) meio sem jeito.” Lionel Messi, com a bola, é um autista.

Se reparar bem em quem tem habilidade acima da média, limiar da genialidade, notará que é “gente esquisita”. Olham diferente, falam diferente, movimentam-se diferente, tomam decisões diferentes. Pois começa a ganhar força tese de que esses, vivendo síndromes ligadas ao “autismo”, ou dislexia, são os primeiros humanos do futuro. Atributos que se julga defeitos, seriam mutações, evoluções, tornando-os capazes de feitos inimagináveis. Têm memória incrível, tocam piano aos quatro anos, visualizam padrões onde só vemos confusão. E a novidade é que o numero desses, com vários graus de autismo, cresce ano a ano. Os X Men estão chegando e vamos ter que nos adaptar. Não sei se é assustador ou maravilhoso, mas é o futuro.

Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista

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