O vereador Jépy Pereira (PSDB), que pode ser reeleito para presidir a Câmara de Vereadores de Franca, tem se notabilizado, nos últimos tempos, por deslizes que, conforme reportagem na edição do último final de semana do Comércio, podem deixá-lo em situação complicada diante da Justiça. Além de protagonizar uma série de mancadas no comando do Legislativo francano, Jépy ainda passou por cima de um possível acordo para permanecer no cargo: Valéria Marson, sua colega de Câmara e de partido, esperava contar com o seu apoio para se eleger presidente da Casa, o que não ocorreu. O vereador conseguiu manobrar e levar para o seu lado a maioria dos apoiadores da colega, utilizando práticas que já não têm espaço na política de hoje, onde a ética e a moralidade devem pautar a conduta de entes públicos.
Atualmente, Jépy Pereira é alvo de três investigações da Promotoria de Justiça: por supostamente manipular documentos que favoreceram a contratação de um advogado específico para defender sua gestão em processos trabalhistas e de cobrança; por ser benevolente com o motorista do Legislativo que teria transformado o carro oficial em particular; e, como já tratado na ação popular, por ter tentado burlar determinações do Tribunal de Contas criando cargos e fazendo nomeações irregulares de ocupantes de cargos comissionados que deveriam ter sido demitidos.
É muita coisa para um vereador só. Em sua defesa, o presidente da Câmara alega que tudo se resume a uma ‘questão política’. ‘Não tem nada que tenha feito contrário à lei’, garantiu à reportagem do Comércio. Em entrevista, disse ainda que as denúncias foram anônimas, como se a constatação posterior do promotor de Justiça Paulo César Corrêa Borges de que houve irregularidades (se não, inexistiriam as investigações em curso) não deva ser levada em conta. Algo estranho ronda estes três casos e só a apreciação da Justiça poderá mostrar o que realmente houve.
Em todos os casos em que está sendo investigado, o vereador cria uma situação capaz de minar ainda mais a credibilidade de nossa já combalida Câmara. Não foi a primeira vez e, certamente para quem conhece a personalidade do presidente da Câmara, não será a última. O que se espera é que Jépy Pereira analise bem a sua situação e perceba que, ao persistir em suas pretensões, coloca em risco uma instituição que vem lutando para recuperar a o crédito e a confiança da comunidade francana. Afinal, as últimas legislaturas deixaram uma impressão muito negativa junto aos eleitores.
Ele deveria se afastar para que possa se defender das graves acusações. Ao se manter na disputa da presidência, Jépy Pereira externa grande despreocupação não apenas pela sua situação, mas também pelo fortalecimento da instituição que dirige. Mostra ainda não acreditar na atuação do Ministério Público ou da Justiça como um todo. A mesma Justiça que colocou medalhões da política brasileira na cadeia por causa do Mensalão. Deve sim colocar as barbas de molho, porque pode simplesmente ser julgado e condenado. Mesmo que demore a sair, a sentença que um dia deve chegar.
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