Para acusado, tudo é ‘questão de política’


| Tempo de leitura: 4 min

O presidente da Câmara Municipal de Franca, Jépy Pereira (PSDB), minimizou sábado a série de investigações abertas pelo Ministério Público contra a sua administração. Para ele, todas as denúncias não passam de “jogo político” para “atrapalhar” sua recondução ao comando da Câmara. A escolha do novo presidente está marcada para esta quinta-feira, dia 5.

São três inquéritos e uma ação popular abertos contra o senhor em menos de um mês. Como o senhor vê essas investigações?
Eu vejo com a maior tranquilidade. Não. Não é com tranquilidade, porque eu acho que não deveriam estar ocorrendo. Na verdade, esses três inquéritos são denúncias anônimas. A questão do “Tonhão” (o motorista acusado de privilégios), nós já resolvemos. Já baixei um ato da presidência regulamentando o uso do carro, vou instalar GPS nos três carros da Câmara para ter o relatório mensal do trajeto. Outra questão é a contratação do advogado. Eu não entendi porque houve essa denúncia, porque foi tudo correto.

Na verdade, na contratação do advogado, a denúncia diz que o senhor não teria dado a publicidade necessária ao processo e suprimido a primeira proposta (com preço maior) apresentada pelo advogado (Denílson Carvalho).
Isso não existe. Se houve qualquer manipulação, não foi eu quem fiz, porque o processo não fica comigo, fica no Departamento Legislativo. Pelo que eu vi no procedimento do Ministério Público, nenhum dos funcionários que são os guardiões do processo administrativo ouvidos, pelo que fiquei sabendo, disse que sumiu documento. Eles disseram que não houve nada.

Na verdade, um deles afirma que percebeu que uma das folhas do processo havia sido alterada, justamente a que continha a primeira proposta do advogado (de R$ 7,5 mil). Ele também afirma que o teria informado a respeito e que o senhor teria então feito uma retificação na proposta do advogado Denílson Carvalho.
A determinação que eu dei foi a seguinte: quando me falaram que o Denílson tinha apresentado uma proposta nova e tal, tal, eu determinei que ela fosse juntada aos autos. Agora, a questão de suprimir folha, não. Mesmo porque eu nem precisava ter feito esse procedimento. Eu poderia ter contratado direto, porque o valor é inferior ao de licitação. Não haveria nenhuma justificativa para que eu fizesse esse tipo de coisa. O advogado teria que ser de confiança. Eu não vou abrir licitação para contratar advogado. Aparece um cara que não tem nada a ver com a história, que é amigo da parte contrária... Quer dizer, eu não posso submeter o Legislativo a uma situação que poderia ser amplamente prejudicial. A questão do regime de urgência era porque a contratação era urgente mesmo. O Tribunal tinha nos notificado e tínhamos que pagar R$ 10 mil e multa de R$ 1 mil por dia de atraso. Tanto é verdade que o Denílson resolveu o problema e não pagamos esse valor até hoje. Eu poderia ter contratado sem ter feito nada disso. Era só ter baixado um ato da Presidência e fazer a contratação. Eu não precisaria consultar nada nem dar publicidade. Eu fui demonstrar, eu submeti ao Plenário e nos contratamos pelo menor preço. O Denílson foi o menor preço e, ainda que houvesse uma proposta de R$ 4 mil, eu poderia não concordar. É a mesma coisa que você comprar um CD do Roberto Carlos e do Antônio Carlos. Os dois não têm o mesmo valor. Eu não vejo nenhuma irregularidade em relação a isso.

Esse caso também deve ser encaminhado para a Promotoria Criminal por conta das acusações de crime de supressão de documentos oficiais e manipulação de contratação.
Já encaminhou... (o Ministério Público). Já devem até ter aberto inquérito policial. Você pode verificar que essas denúncias ficaram evidentes um, dois meses antes da eleição para a mesa da Câmara. Antes estava tudo tranquilo e agora surgem essas coisas. Eu vejo como uma questão política. Eu entendo que não fiz nada. Vou fazer tudo o que tiver que fazer, vou esclarecer tudo isso. Não tem nada que tenha feito contrário à lei. Eu fui até excessivo na preocupação com a legislação. Estou preocupado porque até então não tinha nada, mas a partir do momento que você fala que vai disputar a reeleição, é que começou a surgir isso tudo. Eu vejo mais como uma questão política do que qualquer outra coisa.

E diante disso, o senhor mantém a sua candidatura à reeleição?
Claro, e com um motivo a mais. Eu poderia até não pensar. Mas agora vou com mais vigor ainda. Eu não tenho nada a temer. Eu estou na maior tranquilidade. Não é motivo algum para que eu desista das minhas pretensões.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários