Hábitos saudáveis. Ou nem tanto??


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Especialistas detonam algumas histórias e atitudes que são consideradas saudáveis por muita gente
Especialistas detonam algumas histórias e atitudes que são consideradas saudáveis por muita gente

Em meio à uma sociedade cada vez mais obcecada com um estilo de vida saudável, corpos sarados, comidas orgânicas, remédios que emagrecem e suplementos, algumas dicas e conselhos sobre saúde foram repetidos tantas e tantas e tantas vezes que assumiram ares de verdades incontestáveis. Da mesma maneira, centenas de pesquisas são realizadas a respeito do tema e, de tempos em tempos, surge uma nova abordagem sobre o que seriam hábitos saudáveis. Quem já não leu matérias com base científica dizendo que café faz mal? E quem já não leu que faz bem? Na esteira dessas pesquisas e na mesma toada de matérias a respeito, a revista New Scientist analisou vários estudos e “conselhos” sobre saúde e, depois, consultou especialistas para tirar a prova dos 9. O resultado é mais uma reviravolta em hábitos já arraigados ao longo dos anos. Claro que, conforme a ciência vai avançando, novas descobertas vão surgindo e essa prova dos 9 acaba sendo encoberta pela prova dos 18 e por aí vai. De toda forma, já que a “verdade absoluta” é difícil de se obter, o material da revista é curioso, ao menos, para refletirmos sobre nossos hábitos.

Viva como seus antepassados
Todo gordinho/gordinha que adora ficar em casa de bobeira já ouviu dos pais a história de que nossos corpos não foram feitos para viver no sofá e pegar comida na geladeira. Que nossos antepassados evoluíram correndo por aí, caçando e colhendo frutas e vegetais. Logo, seríamos mais saudáveis se vivêssemos como nossos ancestrais do tempo das cavernas.

Mas imaginar que houve um ponto x na evolução humana, há 50 mil anos, não é uma verdade incontestável e não deveríamos imaginar que o que se fazia naquela época é o que nosso corpo precisa exatamente nos dias atuais, diz Marlene Zuk, bióloga da Universidade de Minnesota em Saint Paul. Para ela nossos ancestrais não eram perfeitamente adaptados. Também não sabemos ao certo do que se alimentavam. Com certeza não eram com os mesmos tipos de plantas e animais que chegam às nossas mesas. Resumindo o que defende a estudiosa, o tipo de vida completo que eles tinham na antiguidade difere muito do nosso. Não dá para, simplesmente, adaptar uma parte disso a nossa realidade e achar que está tudo certo. Mas, uma coisa a história recente tem mostrado: correr mais e comer menos gordura tem sido uma opção mais saudável.

Sobrepeso e morte precoce
Primeiramente, precisamos ser bem claros: obesidade faz muito mal à saúde. O que cientistas americanos descobriram é que ter aquele pneu de leve não encurtará seu período na Terra. Pasme: os novos estudos dizem que podem até prolongar sua vida. Pelo menos é o que mostrou o resultado de cem estudos que envolveram 3 milhões de pessoas. A análise, coordenada por Katherine Flegaldo, do US Centers for DiseaseControl em Hyattsville, concluiu que estar acima do peso atua como uma proteção ao organismo, reduzindo em 6% o risco de morte se comparada a pessoas com o índice de massa corporal (IMC) entre 18,5 e 25. Aqueles com IMC acima de 35, no entanto, têm um risco maior. Logo, o índice ideal fica entre 25 e 29. (Para calcular seu IMC basta dividir seu peso por sua altura elevada ao quadrado).

Precisamos nos desintoxicar
A influência do ser humano no planeta e a industrialização de tudo quanto é tipo de coisa envenenou até nosso ar. Com isso, de épocas em épocas, reza a lenda que o corpo humano precisa se purificar, fazer uma desintoxicação completa para evitar os efeitos nocivos de tais substâncias.

Antes de mais nada, é preciso deixar claro que essa limpeza é feita naturalmente por nosso corpo, 24 horas por dia, em uma ação que envolve o fígado, os rins e o sistema digestivo. Grande parte das substâncias tóxicas que consumimos é desintegrada num intervalo de algumas horas após sua ingestão ou absorção, dependendo claro, do que for que você botou pra dentro. Em alguns casos pode levar semanas, meses ou anos para nos livrarmos de algumas delas, principalmente as solúveis em gordura, como dioxinas e PCBs. Se consumirmos essas substâncias mais rápido do que nosso organismo pode se livrar delas, os níveis em nossos corpos podem realmente aumentar.

Os mais famosos programas de desintoxicação defendem um período de consumo de apenas líquidos, sem ingestão de sólidos, mas isso não faz diferença em relação aos níveis de substâncias químicas que se acumulam ao longo dos anos. “Leva de seis a dez anos de exposição zero para reduzir pela metade o acúmulo dessas substâncias em nossos tecidos de gordura”, diz Andreas Kortenkamp, toxicologista da BrunelUniversity em Londres.

É agora que a coisa realmente fica interessante: fazer dieta radical ou jejum pode libera substâncias químicas solúveis em gordura na corrente sanguínea em vez de eliminá-las do corpo. É, pelo menos, o que mostrou um estudo publicado na revista ObesitySurgery. O estudo revelou que o nível de organoclorinos e pesticidas no sangue dos voluntários testados subiu de 25 a 50% depois de perda rápida de peso. Pra piorar, nada garante que essas toxinas saiam do organismo depois disso. Para se livrar de substâncias, o caminho é seguir uma dieta balanceada durante toda sua vida, evitando o acúmulo de lixo “da pesada” no seu organismo.

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