Paulatinamente Franca vai perdendo importantes órgãos públicos, fato que só faz demonstrar certo descaso dos governos federal e estadual com uma cidade com quatrocentos mil habitantes, de economia forte e com orçamento projetado de R$ 700 milhões para 2014.
Em decisão não muito bem esclarecida perdemos, há algum tempo, a Delegacia Tributária Estadual. Pouco depois, quase ficamos sem o Setor de Arrecadação Tributária do Posto Fiscal — que calcula o ITCMD (Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doações).
A transferência foi abortada graças à atuação contundente da OAB local. Ao contrário, em todo arrolamento e inventário de Franca o advogado teria que se deslocar até Ribeirão Preto para a conferência do valor do imposto a ser recolhido.
Mais recente, o COPOM (Centro de Operações Policiais Militares) mudou-se para Ribeirão Preto. Com a medida, as ligações telefônicas emergenciais ao 190 passaram a ser controladas lá, o que fez com que o atendimento à população sofresse sensível queda de qualidade com a lentidão de atendimento que se produziu.
Agora, nova perda é anunciada, os Serviços Administrativos da Polícia Rodoviária acabam de ir para Ribeirão. Portanto, qualquer contato com o comando daquela polícia deverá ser feito na vizinha cidade.
A população francana assiste estarrecida essa debandada e visualiza, com os fatos, falta de prestígio junto às altas esferas governamentais. O paradoxal é que Franca sempre votou expressivamente nos candidatos do PSDB, tem sido administrada por prefeitos tucanos e possui dois deputados que compõem a base de sustentação do governo Alckmin. Com efeito, era de se esperar conduta diferente com a nossa querida cidade. Os fatos indicam, infelizmente, que nosso atual governador não é muito adepto à reciprocidade, e não deve gostar de rezar a bela e consagrada oração de São Francisco de Assis que ensina: ‘E dando que se recebe’.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
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