Criação de emprego em Franca é a menor dos últimos cinco anos


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Candidato preenche ficha na agência de empregos da Acif: setor comercial gerou 23% menos vagas este ano em relação a 2012
Candidato preenche ficha na agência de empregos da Acif: setor comercial gerou 23% menos vagas este ano em relação a 2012

A geração de empregos em Franca é a menor dos últimos cinco anos. De janeiro a outubro de 2013 foram criados 11.075 novos postos de trabalho formal. Os números foram divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), na semana passada, e, segundo especialistas, retrata a desaceleração da economia e o encolhimento do mercado de trabalho.

Apesar da queda, gerada por diversos setores da economia, Franca ocupa a 13ª posição no ranking brasileiro de criação de empregos com carteira assinada, ficando atrás apenas das capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Manaus, Goiânia, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, além das cidades de Guarulhos (SP) e Altamira (PA).

Um dos setores que menos ofereceram oportunidade formal foi o comercial. Nos dez primeiros meses deste ano foram criadas 951 novas vagas, 23% a menos que no mesmo período do ano passado. O presidente da Acif, José Alexandre do Carmo Jorge, atribui a falta de novas vagas à retração do mercado e a “invasão” dos produtos chineses.

Para Carmo Jorge, o endividamento do francano, causado pela grande quantidade de crédito disponibilizada durante o governo Lula, foi o vilão da crise no setor. “Os postos de trabalho que eram para crescer no final do ano, principalmente no comércio, estão retraídos. Primeiro, por causa da visão do empresário - que está com receio - porque hoje não dá para prever o que vai acontecer no ano que vem”, disse.

Queda no consumo
O economista Hélio Braga Filho confirma que o principal motor do crescimento da economia brasileira - que estava sendo o consumo - também sofreu desaceleração por conta do nível de endividamento das famílias, que praticamente dobrou, nos últimos anos passando de 24% em 2007 para 45% em 2013.

A taxa de expansão do emprego este ano também foi menor nos setores de construção civil, com queda de 52% no número de novas vagas. Serviços também registraram baixa nas contratações, foram 20% a menos que no mesmo período do ano passado.

Na indústria de transformação foram geradas 8.865 novas vagas, 11% a menos que em 2012. Apesar da retração no setor, o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão, afirmou que as indústrias calçadistas têm aumentado o número de contratações a cada ano. “O setor calçadista não foi nada afetado em decorrência dessa crise mundial, da crise do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, nem com as importações. Isso mostra um vigor ainda com relação a todos esses números negativos que tem o país, apesar da inflação alta, juros altos e PIB das indústrias quase que negativo. O setor calçadista de Franca tem dado exemplo de vigor e mantendo o número de funcionários”, disse.

Segundo o economista Hélio Braga Filho, o mercado de trabalho sofreu uma desaceleração em relação aos anos anteriores no Brasil, em função do “encolhimento” da economia, que registrou o último pico de crescimento no final do governo Lula. “O crescimento econômico foi anêmico o ano passado e o mercado de trabalho também começou a esboçar o mesmo comportamento. Ele cresce, mas desacelerou. O ritmo de crescimento é bem menor que nos anos anteriores”, afirmou.

A exceção na geração de empregos foi o setor de administração pública, que criou 16 vagas há mais que em 2012.

Fim de ano
Carmo Jorge não prevê aumento significativo de contratações no comércio ainda este ano. “Era para essas contratações terem acontecido em outubro, para que o pessoal fosse treinado em tempo hábil de atender. Mas isso não aconteceu. O mercado não está aquecido e o empresário vai postergar, ao máximo, essas contratações”, disse.

Representante do setor calçadista, Brigagão acredita que as contratações deverão ser menores neste final de ano. “Novembro começa a entrar na fase de sazonalidade, comum no setor”, disse.

Previsões
Representantes da indústria e do comércio de Franca são reticentes na hora de fazer previsões para o próximo ano. Por ser um ano atípico, devido à realização da Copa do Mundo no Brasil e às eleições presidenciais, eles temem uma desaceleração da economia. “A geração de empregos continuará baixa. Se conseguirmos repetir 2013 estaremos no lucro”, disse o presidente da Acif.

O presidente do Sindifranca orienta os empresários a serem prudentes na hora de fazer investimentos para 2014. “Como as previsões não são boas, minha sugestão para as empresas é que não aumentem sua produção”, afirmou.

O economista acredita que a política fiscal para o próximo ano será mais “frouxa” no sentido de aquecimento da economia. “O governo federal deverá fazer de tudo para crescer um pouco mais e, ao mesmo tempo, não comprometer a geração de emprego”, concluiu o Hélio Braga Filho.

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