É possível navegar na capital?


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O governo do Estado e a iniciativa privada avaliarão os estudos de pré-viabilidade do funcionamento de uma hidrovia na região metropolitana de São Paulo. Um dos entusiastas é o engenheiro naval Casemiro Tércio Carvalho, diretor do Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo e diretor-presidente da Companhia Docas de São Sebastião. Segundo ele, há potencial imediato para transportar cargas como sedimentos de dragagem, lodo das estações de tratamento, entulhos de construção, solo de escavação e resíduos sólidos urbanos. A hidrovia tiraria de circulação do viário urbano cerca de 2,8 milhões de toneladas de cargas por ano ou 112 mil viagens de caminhão/ano. “Um ganho importante diz respeito ao meio ambiente, pois a utilização do transporte hidroviário leva a uma redução drástica da emissão de gases poluentes locais e de efeito estufa, contribuindo para a qualidade do ar na metrópole e colaborando no combate do aquecimento global”, diz ele.

Em 2009, o governo do Estado anunciou que pretendia criar uma espécie de hidroanel metropolitano para fazer ligação com o Porto de Santos e pontos de distribuição integradores de sistemas como Rodoanel e Ferroanel. O jornal O Estado de S. Paulo divulgou à época que o projeto custaria cerca de R$ 2 bilhões e levaria ao menos 20 anos para ser concluído. Especialistas opinaram que a hidrovia na capital seria uma alternativa eficaz para descongestionar marginais e rodovias. A ideia avançou e é confirmada por Carvalho.

De acordo com os estudos, são transportados sete milhões de toneladas de cargas na pela hidrovia Tietê-Paraná. O Departamento Hidroviário quer criar uma via navegável para cargas e passageiros na Região Metropolitana de São Paulo utilizando os rios Tietê e Pinheiros, as represas Billings e Taiaçupeba e um canal artificial com 18 quilômetros de extensão.

O primeiro passo para o projeto foi dado com o início das obras da Eclusa da Barragem da Penha. Orçada em R$ 101 milhões, a eclusa acrescentará 14 quilômetros de navegação no rio Tietê na RMSP, totalizando 55 quilômetros. Destinada ao transporte de cargas urbanas, e no futuro ao de passageiros, a obra ajudaria também no controle das enchentes com a retenção de até 5 milhões metros cúbicos de água, equivalente a 65 “piscinões”.

A Hidrovia Metropolitana é um projeto ambicioso, que demanda longo prazo, mas possível de ser implantado, segundo Carvalho. “Navegar é preciso, como já dizia Fernando Pessoa em um de seus poemas”, diz ele. “Basta que não só o Estado faça sua parte, mas as prefeituras e a iniciativa privada se unam para viabilizá-lo, pois quem ganha é a cidade, seja no papel das empresas ou da população, já que ambos dependem do transporte e trafegam pelas ruas, e quem sabe pelos rios da cidade num futuro próximo”.

Automóveis: O Interior Paulista vai se consolidando como novo polo automobilístico do país. A Honda realizou ontem cerimônia que marcou o início da construção de sua segunda fábrica de automóveis no Brasil, em Itirapina (a primeira fica em Sumaré). A nova unidade iniciará suas operações no segundo semestre de 2015. R$ 2 bilhões serão investidos na planta.

Decisão regional: A Secretaria Nacional de Aviação Civil determinou que os projetos de aeroportos regionais de Piracicaba e Rio Claro sejam unificados. O projeto único deverá ser localizado entre Rio Claro, Iracemápolis e Cordeirópolis, beneficiando também Limeira e outras cidades, numa área de 200 alqueires oferecida pelos municípios. A decisão foi consensual entre as cidades.

Fatias do bolo: Dos R$ 11,5 bilhões do orçamento de 2014 dos sete municípios da região do ABC, 30,1% serão de repasses de ‘fora’ -- R$ 2,2 bilhões da União e R$ 1,2 bilhão do governo estadual. Os números foram levantados pelo Diário do Grande ABC, da Rede APJ (Associação Paulista de Jornais).

Wilson Marini
Jornalista - email wmarini@apj.inf.br

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