Cafeicultura pede socorro


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Considerado como o responsável pelo desenvolvimento de inúmeras regiões do País, como o Norte e Nordeste de São Paulo e Sul de Minas, o café vem amargando uma desvalorização sucessiva nos últimos anos, a qual se reflete não apenas no crescimento das dívidas dos produtores mas também na erradicação de muitas lavouras: a troca por soja ou cana-de-açúcar mostra-se mais vantajosa, não apenas em relação aos preços, mas também por causa do melhor custo-benefício e da demanda crescente, inclusive no Exterior para a soja.

Há muitos cafeicultores que se dizem cansados dos altos e baixos mais recentes, que em um ano leva o valor de uma saca de 60kg de R$ 530 para R$ 260. Ou seja: o produto hoje custa a metade do que estava custando no ano passado. Somando-se os gastos para erradicar pragas e prevenir fenômenos climáticos, além de várias outras variáveis que tornam a produção de café bastante difícil e onerosa, há milhares de motivos para o desânimo do setor. Para complicar, não existe uma política governamental que possa nortear os rumos da produção, com a garantia de preços mínimos e incentivos para a exportação.

O outrora ‘ouro verde’ já não consegue manter uma estabilidade capaz de fazer crescer a área plantada, muito pelo contrário. Na última sexta-feira, 22, o CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou a suspensão do pagamento de dívidas de cafeicultores de 1º de julho deste ano a 28 de fevereiro de 2014, prorrogando automaticamente o passivo de custeio e comercialização com início de pagamento previsto para julho de 2015 e parcelamento por mais 5 anos.

O ministro da Agricultura, Antonio Andrade, ressalta que o governo continua aberto às negociações com os cafeicultores e que, se as medidas não surtirem o efeito esperado, poderão ser adotadas novas ações. Ele defendeu junto à área econômica que os recursos remanescentes da atual safra possam ser aplicados a partir de março de 2014 no financiamento da próxima safra (2014/15).

Os produtores de café, porém, entendem que esta medida não será suficiente para a recuperação dos preços. Responsável pela formação de grandes fortunas, principalmente nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, a cafeicultura hoje não permite que os produtores saldem suas dívidas. Os donos de lavouras menores sofrem ainda mais, já que dependem apenas do mercado interno para comercializar suas lavouras.

Mesmo com o crescente consumo do café das mais variadas formas no mundo todo, o Brasil perdeu o bonde da história diante das políticas de outros países produtores, como a Colômbia, que elevam ou mantêm suas exportações. Além disso, há outros produtores que ocupam, principalmente por causa de suas posições geográficas, posições que já foram do Brasil, como Honduras, Costa Rica, Vietnã e Uganda. São fatores que acabam por minar a competitividade do café brasileiro em termos de preço. Por isso, enquanto não se criar uma política nacional para o setor, o café vai continuar tendo que se submeter aos humores da sazonalidade e demanda, para desespero dos produtores.

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