O excesso de produção nos curtumes do Distrito Industrial causou um despejo de resíduos industriais na natureza. A lagoa de tratamento transbordou e contaminou a vegetação das proximidades. O descarte irregular tem ocorrido há pelo menos três meses, mas, segundo a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), o problema deve ser totalmente solucionado até o final deste ano.
A gerente local da Cetesb, Vera Barillari, afirmou que o órgão tomou conhecimento da situação há cerca de dois meses. “Fomos na estação de tratamento do Distrito Industrial e fizemos inspeções. A lagoa de tratamento transbordou devido a um excesso de efluentes (resíduos). Houve também a quebra de uma das bombas. Por causa disso, a lagoa não deu conta de tratar e fazer o bombeamento”, disse Vera, garantindo que o material que vazou era tratado, não bruto.
De acordo com Vera, a Amcoa (Associação dos Manufaturadores de Couros e Afins), que é gerenciadora da estação do Distrito, instalou na semana retrasada um talude (espécie de barreira de contenção) para impedir o derramamento. Além disso, até o final do ano, uma reforma deverá adequar o espaço para a demanda atual dos curtumes. Segundo a gerente, com essas duas medidas, o transbordamento dos resíduos não deverá mais acontecer. Atualmente, os efluentes tratados na estação de tratamento do Distrito são descartados no córrego dos Bagres.
No entanto, o fato de o problema estar sendo solucionado não significa que a Amcoa não será punida por isso. Afinal, os resíduos que transbordaram atingiram áreas de vegetação. “Solicitamos de imediato (à Amcoa) que não ocorra mais nenhum tipo de lançamento. Ainda estamos avaliando o dano ambiental e que tipo de penalidade será aplicado. Ela pode ser de uma advertência até uma multa, mas a Amcoa vai ter que recuperar essa área que foi queimada pelos resíduos se for alguma APP (Área de Preservação Permanente). O relatório técnico (sobre o impacto ambiental) deve ficar pronto na semana que vem”, afirmou Vera.
O Comércio entrou em contato com a Amcoa por telefone durante toda a tarde de ontem, mas não conseguiu falar com o responsável até o fechamento desta edição.
Destruição
O analista de sistemas Severino dos Reis Silva, 50, já havia percebido que alguma coisa estava errada nos arredores do Distrito Industrial há algum tempo. Ele possui um sítio próximo a São José da Bela Vista e, três meses atrás, precisou se deslocar até o local todos os dias para cuidar das suas criações.
“Na volta, via aquela água transbordando dos tanques e escorrendo. Ela é escura, como se fosse chocolate, grossa e tem um cheiro muito forte e desagradável. Passou um mês, passaram dois e, quando completou três, vi que aquilo não podia continuar. Se eu ficasse quieto, seria tão criminoso quanto os curtumes. Aquilo era errado, porque de longe você pode ver que, onde aquele líquido escorre, a vegetação morre”, disse Silva.
Para o analista, a situação é “preocupante”, não só porque a área onde o descarte irregular ocorre seria supostamente de preservação ambiental, mas também porque ela pode afetar a sua fazenda. “De vez em quando, eu sinto um mau cheiro no ribeirão Salgado, que passa no fundo do meu sítio.”
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