Vinícius e o galo


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Vinícius de Moraes, poeta e músico com fama internacional e, nas horas vagas, diplomata e cozinheiro, se definia também como médium psicógrafo, vidente e audiente, isto é, era capaz de receber páginas ditadas pelos espíritos, podendo vê-los e ouvi-los.

Em 1964, foi repousar na serrana cidade fluminense de Visconde de Mauá. Hospedado num chalé, o telefone tocou: seu amigo fraternal Antônio Maria havia falecido. Tomado de profunda tristeza, não resistiu e caiu em pranto sentido. Passado o impacto e já consolado, sentou-se para escrever e eis que um pássaro entra na varanda e dá duas voltas ao redor de sua cabeça, quase lhe arrancando os óculos. Impressionado, o poeta admite que o passarinho é o amigo que o viera saudar. À tarde daquele mesmo dia, ao sair para uma rápida caminhada, depara-se com um galo que, imóvel como uma estátua, encara-o fixamente.

Volta-se para a intimidade do chalé e, da varanda, tenta mais uma olhada e se vê frustrado ao constatar que no local não havia mais nenhum galináceo. Novamente, o poeta se impressiona e acredita tratar-se da presença de Antônio Maria.

O fato é narrado por Ubiratan Machado, no livro Diálogo com o Invisível, no qual se refere a Carlos Drummond de Andrade, que participava de reuniões experimentais com Vinícius, conforme narrou no seu livro O Observador no escritório (Record, 1985). Médium, Vinicius era, visto que ele próprio o relatou, tanto quanto Drummond, mas, e o pássaro?! E o galo?! Poderia um espírito manifestar-se na aparência de irracionais? Diz o Espiritismo que, alcançada a racionalidade, o espírito não retrograda. No entanto, considere-se um improvável fenômeno de ectoplasmia, uma materialização passageira, ou que o desencarnado tivesse influenciado — por meio de espíritos elementais —, seres irracionais, mas simpáticos, a sinalizarem sua presença amiga.

Seja lá o que for, o fato é que os fenômenos foram narrados pelo próprio Vinicius.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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