Sapateira acusa chefe de chamá-la de ‘negra barraqueira’; caso na polícia


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Uma sapateira de 32 anos procurou a Delegacia da Mulher na quinta-feira para denunciar a chefe do Departamento Pessoal da fábrica de calçados onde trabalha por racismo. Segundo ela, a supervisora a teria agredido verbalmente e a chamado de “negra barraqueira” na frente de outros funcionários.

O caso teria ocorrido um dia depois do feriado da Consciência Negra, na quinta-feira pela manhã. A sapateira conta que estava afastada do trabalho por conta de uma hemorragia uterina que começou depois que ela decidiu trocar seu anticoncepcional. Logo em seguida, ela apresentou inchaço e dores no braço. “Ao, todo foram 17 dias de atestado”, disse.

Ao retornar ao trabalho, a sapateira relata que foi entregar os atestados e a responsável pelo DP começou a questioná-la sobre as razões de seu afastamento. “Ela ficou me perguntando porque tinha me afastado tantos dias, qual médico eu tinha ido e o que ele tinha dito. Mas o meu problema era ginecológico. Me senti constrangida de responder na frente dos outros funcionários. Pedi que ela lesse os atestados”, disse ela, completando que o DP estava cheio, pois era data de pagamento.

Mas a chefe insistiu nas perguntas. “Fui me irritando. Uma hora, respondi bem brava para ela ler o bendito do atestado. Foi quando ela começou a me agredir e a gritar. Ela me disse que eu era uma negra barraqueira e que só podia ser preta mesmo para agir daquele jeito.”

A sapateira admite que também gritou. “Não fiquei quieta, mas não a ofendi. Depois, só deixei a sala e comecei a chorar.” Outros funcionários aconselharam a sapateira a procurar o sindicato da categoria e denunciar o ocorrido. “Foi o que eu fiz. Lá no sindicato, eu estava tão nervosa que nem conseguia contar o que aconteceu. Tiveram que me acalmar. Foi o advogado de lá que me orientou a registrar a queixa na polícia”.

Segundo o advogado Leonardo Marques Corrêa, do Sindicato dos Sapateiros de Franca, o caso foi registrado como “averiguação de racismo” na Delegacia da Mulher. “Agora vamos tomar providências contra a agressora, tanto civil quanto criminalmente”, disse ele.

A sapateira pediu para que o nome dela e da empresa não fossem divulgados. No final da tarde desta sexta-feira, ninguém atendeu ao telefone na fábrica para comentar o caso.

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