A advogada Sílvia Catin, 47, está processando um cirurgião plástico de Franca por erro médico. Ela o acusa de ter ignorado a existência de um câncer em sua mama durante uma cirurgia para substituição de próteses. O fato teria feito com que o tumor, à época da operação com 2 cm, hoje esteja com 8 e seja considerado em estágio avançado. A advogada corre o risco de ter de retirar todo o seio esquerdo.
O drama começou em 2012. Sentindo dores na mama esquerda, a advogada percebeu um caroço e procurou um ginecologista. “Ele me examinou e pediu uma ultrassonografia que mostrou um nódulo pequeno. Como havia feito a colocação de próteses anos atrás, o ginecologista pediu que procurasse um cirurgião plástico para ver se não se tratava de problemas com as próteses de silicone.”
Foi o que ela fez em outubro de 2012. “A princípio, ele me atendeu muito bem. Disse que, como minhas próteses eram antigas, o caroço era resultado de uma fibrose. Me recomendou que substituísse as próteses e disse que o caroço seria removido na operação.”
Sílvia disse que chegou a sugerir que ele realizasse exames para confirmar que se tratava mesmo de fibrose. “Mas ele garantiu que não era necessário.”
A advogada pagou R$ 12 mil pela nova cirurgia, feita em janeiro. “Foi quando começaram os problemas (...) O médico disse que tinha muita fibrose, que precisou retirar tudo, mas que o resultado foi perfeito. Fiquei até tranquila.” Mas no dia seguinte, ao passar a mão sobre a mama, Silvia percebeu que o caroço continuava no mesmo lugar. “Liguei e ele me disse que fosse lá na segunda-feira. Eu fui. Ele examinou por cima e disse que era um coágulo que sumiria.”
Ela alega que ainda tentou pedir novos exames, mas o médico mais uma vez teria achado desnecessário. Alguns dias depois, por recomendação do cirurgião, Sílvia iniciou sessões de drenagem. “Ainda sentia fortes dores e ele me garantia que, com o procedimento, ia melhorar.” Quando estava perto de completar a 50ª sessão de drenagem sem que o caroço desaparecesse, a esteticista disse para Sílvia que o procedimento não estava dando resultados e que ela deveria procurar um outro médico. “Ela mesma me falou que havia algo errado. Foi quando caiu a minha ficha e resolvi buscar uma segunda opinião.” No dia seguinte, a advogada procurou um especialista em mamas. “Ele ouviu minhas queixas e na hora falou que havia algo errado. Pediu uma nova ultrassonografia e uma pulsão. O resultado: eu tinha um câncer.”
O tumor estava no mesmo local verificado na primeira ultrassonografia, mas havia crescido. “Agora ele tinha 8 cm. O médico me recomendou que procurasse imediatamente um oncologista. Disse que provavelmente as sessões de drenagem tinham afetado o tumor e feito com que ele crescesse.”
Com o resultado em mãos, Sílvia resolveu procurar o cirurgião plástico. “Durante todo o período, ele ignorou minhas queixas. Me convenceu de que não tinha nada e eu descubro, meses depois, que estou com um câncer avançado e devo perder minha mama. Não podia ficar quieta.”
Silvia contou sobre o câncer ao cirurgião. “Ele olhou para mim e disse apenas que fez o que eu pedi, que tinha apenas substituído as próteses. Mas eu não pedi nada. Fiz uma queixa sobre uma dor e um caroço, e ele sugeriu a cirurgia.” Silvia pediu que o médico a reembolsasse, já que a operação feita por ele não havia resolvido suas dores, além de provavelmente ter agravado o câncer. “Mas ele me ignorou mais uma vez. Depois não me atendeu mais.”
A decisão de ingressar na Justiça, segundo Sílvia, foi por conta da postura do médico. “Quando voltei ao consultório e vi a sala de espera lotada, pensei nas mulheres que estavam lá e nos riscos que elas estavam correndo. Vi que ele continuava operando sem se importar e resolvi fazer alguma coisa.”
Sílvia procurou um advogado e nesta semana iniciou um processo judicial contra o médico. “Eu sei que o dinheiro que devo ganhar não trará tudo o que perdi de volta. Não terei meu seio normal nem esquecerei todo o sofrimento, mas servirá de alerta para ele e para outras mulheres que podem passar pelo mesmo que passei.” Ela disse que não divulgou o nome do profissional a pedido do seu advogado, mas que o fará assim que houver alguma condenação. “Quero que todos saibam o que ele fez e como me tratou.”
A ação não tem data para ser julgada. O caso também será denunciado ao Conselho Regional de Medicina.
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