Construídas para serem espaços de lazer e diversão para a população, as praças públicas estão se transformando em ponto de encontro para bandidos, usuários de drogas, traficantes, mendigos e prostitutas. Algumas em Franca se tornaram cenários de crimes. Em menos de dois meses, três pessoas foram assassinadas em praças da cidade. Os espaços agora são temidos pelos vizinhos, que se sentem inseguros e amedrontados com a violência na porta de casa.
O crime mais recente aconteceu na noite da última terça-feira, quando o adolescente Lucas Nascimento Santos, 17, foi alvejado por tiros na praça do Jardim Ângela Rosa após uma discussão com um desconhecido. A vítima deu entrada na Santa Casa às 21 horas, mas morreu quando recebia os primeiros atendimentos.
Entre os vizinhos da praça, o medo impera. Poucas eram as pessoas que aceitavam falar com a reportagem, mesmo sem se identificar. “A praça está escura, suja e abandonada. Depois que construíram essa casinha aqui (um barracão no meio do espaço), as coisas pioraram, porque ela esconde bandidos, prostitutas, mendigos e usuários de droga”, disse um comerciante que pediu anonimato.
A praça que fica atrás da Escola Estadual “Professor Benedito Eufrásio Marcondes Vieira”, no Jardim Seminário, foi palco de outro crime violento, semelhante ao de Lucas. O adolescente Paulo Henrique Laureano Baldo, também de 17 anos, foi baleado na cabeça no último dia 6 por dois desconhecidos que usavam capacetes. O rapaz chegou a ser encaminhado à Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital quatro dias depois.
Os vizinhos da praça também estão acuados e intimidados pelos usuários de drogas. “A insegurança aqui é demais. Por causa dela, durmo e fecho tudo mais cedo, não deixo a casa sem ninguém nem levo mais a minha neta para brincar na praça. Além disso, o patrulhamento aqui no bairro é muito pouco. Depois do assassinato, fico com mais medo ainda”, disse a dona de casa Maria da Glória Pires, 58.
Já o crime mais antigo - o único solucionado até agora - aconteceu na Praça dos Angicos, localizada no Jardim Francano. No dia 26 de setembro, o andarilho Luciano Antônio de Lima, 38, foi morto a pedradas na praça pelo pedreiro Franceslânio Batista de Oliveira, 23, que foi preso em flagrante. O corpo de Luciano foi encontrado jogado entre as árvores do local.
Na manhã de ontem, a dona de casa Dalila Barini, 59, estava instalando alarmes em toda a sua casa, que fica do lado da Praça dos Angicos. Ela diz ter boas razões para se proteger. “Há uns 15 dias, tentaram arrebentar meu portão. Só não conseguiram porque minha secretária viu e eles fugiram. Se a gente chega aqui à noite, é um perigo, porque os bandidos podem se esconder no mato alto da praça. A Prefeitura cuida do espaço, mas não nesta parte do terreno que fica ao lado da minha casa.”
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