Deitado sobre um papelão esticado no chão, envolto em um cobertor azul, com o rosto protegido parcialmente por caixas descartáveis de café e água mineral, dormia anteontem, ao meio-dia, o mais novo morador do viaduto “Dona Quita”. A construção que custou aos cofres públicos R$ 10 milhões é recente. São apenas oito meses desde sua inauguração, mas já apresenta um problema antigo e comum na região da confluência das avenidas Alonso y Alonso e Major Nicácio: pessoas morando nos vãos de pontes do córrego Cubatão. Bem próximo ao local onde o morador de rua dorme, concentram-se diversos pedintes. Eles abordam os motoristas que param nos semáforos do cruzamento, além dos pedestres que passam pelo local.
“Sempre pedem dinheiro. Alguns ainda estipulam o valor da esmola: R$ 2”, disse a balconista Cátia Couto Stroviski, 32. O funcionário de uma loja de fast food, localizada ao lado do viaduto, disse que os pedintes “batem cartão” em horários de pico. “Pedem lá fora e entram aqui também, causando incômodo aos clientes”, afirmou. Motoristas e pedestres reclamam que o problema se intensificou com a instalação dos semáforos no local.
Segundo a secretária municipal de Ação Social, Gislaine Peres, ao contrário do que muitos possam pensar, os pedintes não são moradores de rua, mas pessoas com residência fixa. “(Os pedintes) têm tomado essa atitude de pedir por inúmeros motivos: para se manter ou manter algum vício, mas não é o público da assistência social”, frisou Gislaine.
Ela disse que essa constatação foi feita por funcionários da pasta, que estiveram em pontos de concentração de pedintes, para tentar encaminhá-los ao Centro Pop. “Eles afirmaram que não são moradores de rua. São pessoas que identificamos, na maioria, como beneficiários do Bolsa Família e do Renda Cidadã”, completou a secretária.
Apesar de os pedintes estarem em diversos pontos da cidade, e agora em maior número com a aproximação do fim de ano, a secretária de Ação Social disse que não existe um estudo voltado para essas pessoas. Ela ainda afirmou que o pedido de esmolas não é “um ato ilícito”, mas uma “estratégia de sobrevivência” de pessoas que se encontram em “situação de vulnerabilidade ou risco social”.
Atendimento
A Prefeitura informou, por meio de nota, que acolhe pessoas em situação de rua no Centro Pop, com “atendimento técnico, busca ativa ou abordagem social, inserção em oficinas, encaminhamento para tratamento da dependência química, cursos profissionalizantes, inserção em programas de transferência de renda e encaminhamentos para o mercado de trabalho”, além de contarem com o Abrigo Provisório.
A Administração ainda orienta a população a encaminhar ao Cras, Creas, Centro Pop ou Abrigo Provisório, as pessoas que forem encontradas pedindo dinheiro nas ruas de Franca.
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