“Como diz um velho ditado, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Infelizmente, eu estava errado.”
As palavras são de um consultor de 36 anos, casado, pai de três crianças, morador no Residencial Quinta do Café. Sua casa foi invadida e roubada durante a tarde de sexta-feira, dia 15. Após organizar a bagunça deixada pelos ladrões, casal e filhos saíram para relaxar e tentar esquecer o episódio, imaginando que o pior já havia passado. No retorno, a surpresa: o imóvel foi invadido e roubado pela segunda vez. A família não possui seguro e o prejuízo foi calculado em R$ 9 mil.
A saga só foi registrada na última terça-feira e divulgada ontem. “Eu liguei para a PM e uma viatura esteve aqui. Os policias não registraram a ocorrência e me orientaram a procurar o 2º Distrito Policial para comunicar o crime”, disse o indignado proprietário.
Em razão do feriado de ontem, o setor de comunicação do Batalhão da PM de Franca não funcionou. PMs, que pediram para não serem identificados, informaram que em casos de furtos em residências o procedimento é orientar a vítima a procurar o DP.
O primeiro ataque ocorreu à tarde. A família saiu pouco depois das 14 horas. No retorno, três horas depois, ela se deparou com a janela de um dos quartos arrombada, o interior revirado e deu pela falta de uma televisão e um videogame. “Devido a situação, as crianças ficaram assustadas e chorando. Mesmo com o nervosismo meu e da minha mulher, organizamos a casa e saímos à noite para tentar relaxar, distrair a cabeça e esquecer o que tinha ocorrido”, lembrou a vítima.
O passeio começou por volta das 20 horas. Ao retornar, uma hora depois, nova desilusão. “Nos deparamos com a porta da cozinha estourada. Desta vez levaram tudo mesmo”, disse o consultor. Eletroeletrônicos, roupas, calçados e eletrodomésticos foram furtados. “Eu pensei que eles tinham feito o que tinham que fazer e ido embora. Me enganei. Eles são ousados demais, retornaram ainda mais apetitosos”.
No segundo assalto, um dos envolvidos cortou uma das mãos na porta de vidro, espalhou sangue pela casa e deixou marcas no sofá, camas e roupas. “Joguei tudo fora, por que a gente não sabe com quem esta lidando”, disse o consultor. Segundo ele, os ladrões escalaram um muro de quase quatro metros de altura, e utilizaram um veículo. “Eles não poderiam levar a pé tudo o que me levaram.”
A família chegou a cogitar a possibilidade de morar em outro lugar em razão dos furtos, mas mudou de idéia. Agora planejam gastar com instalação de grades nas janelas, reforço das portas, cerca elétrica e alarme. “Abrimos mão de uma viagem de fim de ano para investir em segurança. Vou me trancar dentro de casa, construir uma cadeia particular. Eu e minha família vamos ficar presos e os bandidos soltos nas ruas. É assim que funciona as coisas no Brasil”, desabafou o consultor.
Responsável pelo 2º Distrito Policial, área onde ocorreram os furtos, o delegado João Walter Tostes Garcia se limitou a informar que já tem suspeitos do crime. O único comentário veio para explicar que não pode falar para não atrapalhar as investigações referentes ao caso.
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