A Câmara blindou o prefeito e barrou a tentativa de abrir uma Comissão Processante contra Alexandre Ferreira (PSDB). Doze vereadores votaram contra a proposta, entre eles, Nirley de Souza (DEM), que havia acusado o prefeito em seu relatório de “omissão, favorecimento e crime contra a lei de licitações”. Foram apenas dois votos favoráveis. Com a decisão, a apuração pelo Poder Legislativo das possíveis infrações cometidas na assinatura do contrato com a São José não será feita. Também está descartado o risco de processo interno que poderia terminar na cassação do mandato.
As discussões se arrastaram por quase duas horas. Pelo tom dos discursos, foi possível concluir qual seria o desfecho da votação. Um pequeno grupo de manifestantes tentou, em vão, pedir a abertura da CP. Oito vereadores governistas defenderam o prefeito, alegando que era “prematuro e desnecessário” abrir a investigação. “É preciso ter muito fundamento para acusar. Não se comprovou nada ainda”, disse Valéria Marson (PSDB).
Autor do pedido de abertura, Márcio do Flórida (PT) ainda tentou convencer os colegas a mudar de opinião, alegando que os relatórios da CEI do ânibus imputavam ao prefeito infração contra a lei de licitações e crime político-administrativo. “Devemos cumprir o nosso papel e fiscalizar. Vocês podem ficar tranquilos que o prefeito, dificilmente, será cassado.”
Apenas Silas Cuba, primeiro suplente do PT que substituiu Márcio, impedido de votar pelo regimento interno, e Luiz Vergara (PSB), que ainda acusou o vereador petista de não ter sido ético com os integrantes da CEI, votaram a favor do pedido de abertura.
Márcio do Flórida disse que a Câmara perdeu a oportunidade de assumir o papel de órgão fiscalizador. “Esperava um momento de lucidez, que não houve. Tenho que concordar com a ex-vereadora Graciela: a Câmara foi frouxa.”
O petista afirmou que esperava o resultado negativo, mas se surpreendeu com o voto contrário de Nirley de Souza. “Meu pedido de abertura da comissão foi embasado em seu relatório. Ele foi claro ao apontar que houve crime.” Nirley nega que tenha sido contraditório. “Não votei contra meu relatório e, sim, contra a abertura da comissão. Achei muito precipitado entrar agora com este pedido. Acho que deveríamos esperar a decisão do Ministério Público e do Tribunal de Contas para tomar as medidas necessárias.”
O resultado favorável evitou o desgaste, mas não livrou o prefeito de problemas por ter assinado o contrato na surdina com a São José. Os relatórios elaborados pela CEI serão enviados para análise do Ministério Público e Justiça. “Como cidadão, devo ingressar com uma ação popular”, finalizou Márcio do Flórida.
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