Violação da sexualidade


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A sexualidade humana é tema instigante, e acredito, especialmente por despertar todos os tipos de sentimentos inclusive, contraditórios. Pode dar prazer e desprazer, gerar a vida, mas também a morte, felicidade e infelicidade, amor e ódio, aproximação e rejeição.

Há a libido, que bem ‘controlada’ pode gerar coisas boas. Ao contrário, ruins. Sexualidade também é motivação para repressão. Não se ‘pode’ falar em qualquer lugar embora seja a coisa mais natural da vida. Expontânea, pode não ser revelada, pois gera vergonha. E, por ser ‘proibida’, se torna mais desejada e desastrosa.

Apenas se conseguirmos, um dia, modificar a condição ‘proibida’ para ‘permitida’, poder-se-á mudar, finalmente, o enfoque da questão, desmistificando o agora tabu.

Noticiou-se, com tristeza, o suicídio de adolescente em razão do vazamento, na Internet, de vídeo no qual ela fazia sexo.

Houve violação da sua intimidade/sexualidade! A exposição não foi possível ser digerida, elaborada. Para a mulher, infelizmente, a carga emocional e psíquica é bem maior nesta sociedade machista na qual vivemos.

Pode-se questionar por que gravaram e colocaram na Internet, porém, isso não trará a vida da adolescente de volta.

A sexualidade existe, também, para gerar prazer, desde que exercida com responsabilidade e respeito. Quando isso falta, tem-se o desvirtuamento de sua finalidade. Sexualidade, portanto, é presente de valor inestimável que não pode ser compartilhada com quem é irresponsável e inconsequente.

Precisamos valorizar e resguardar esse tesouro. O ato sexual encerra-se em si mesmo. O vídeo não é mais o, é apenas representação de algo que não mais existe.

Há voyeurismo em gravar e assistir, contudo, dependendo do grau da necessidade, pode ser sinônimo de desequilíbrio psíquico que precisa de tratamento. Não podemos deixar que nossa intimidade seja violada por que não a sabe valorizar. Sexualidade é ‘sagrado’.

Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário

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