Conta o anedotário político que Ulisses Guimarães sempre aconselhava seus correligionários a não falarem mal de nenhum político na frente de suas respectivas mulheres, pois elas, com certeza, não aceitariam vê-los ligados a esse mesmo político em futuro onde as coligações partidárias realizadas os obrigassem a a se aproximar. .
Mas até mesmo Ulisses, com toda a sua experiência política, certamente sentiria algum incômodo se ouvisse os rasgados elogios que o ex-presidente Lula tem feito ao senador e também ex-presidente José Sarney, nos últimos tempos.
O ex-metalúrgico, já bem distante de suas origens, tem se derramado em loas ao ainda coronel típico deste Brasil, com muito poder e nenhuma patente.
A despeito do amadurecimento que experimentamos em nossa trajetória e que nos faz compreender coisas que antes apenas percebíamos, fica difícil entender algumas transformações de personagens políticos.
Para o Lula metalúrgico e militante político, José Sarney sempre representou o que havia de pior na política brasileira desde tempos coloniais: o coronelismo.
Para aquele Lula de antigamente, apesar de mais envernizado pelos seus modos civilizados e pelo seu esforço de literato, Sarney nunca deixou de ser um autêntico coronel, com suas fartas intenções (e ações) de uso de bens públicos para fins particulares.
No entanto, para o Lula de hoje, já um pouco mais próximo da resistente ‘aristocracia’ brasileira, senão nos modos, pelo menos em dinheiro e poder, parece que a figura de José Sarney ganhou novos contornos. Igualada a de Ulisses Guimarães, transformou-se em um verdadeiro baluarte da Constituinte e de nossa democracia.
Mas, e olharmos para a penúria do Maranhão e para todas as falcatruas do Senado brasileiro, vamos perceber que Sarney não mudou em nada e está mais coronel do que nunca.
No fundo são os olhos de Lula que, hoje em dia, brilham diferente. Afinal, como dizia Galileu Galilei, ‘e pur si muove’.
Maurício Buffa
Consultor e Professor de Marketing
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