A cadeia feminina do Jardim Guanabara em Franca possui capacidade para abrigar mais de 200 presas e recebe mulheres com mandado de prisão preventivo e provisório das cidades que compõem a Delegacia Seccional. Atualmente, uma das suas 28 celas abriga a psicóloga Natália Ponte, presa desde 10 de novembro por suspeita de envolvimento no sumiço e morte do filho Joaquim Ponte Marques, de 3 anos. Devido a repercussão do caso, a administração e carcereiros do presídio comentam a permanência de Natália no local com discrição.
Isolada, por motivos de segurança, a psicóloga tem, segundo funcionários, se alimentado e dormido normalmente, não está fazendo uso de medicamentos e nem tem chorado. “Ela está em uma cela separada e não pode sair para banho de sol para não ter contato com outras presas. As outras detentas não aceitam este tipo de crime envolvendo crianças. Ultimamente parece que ela está normal, é quieta, não é de conversar não.”
Era previsto que o isolamento de Natália inibisse as visitas de familiares, mas funcionários informaram que o avó materno de Joaquim, Vicente Ponte, e o tio do garoto visitaram a psicóloga na quinta-feira. “Ela recebeu, pela primeira, a vez visitas de familiares. Veio o pai e o irmão dela. Ficaram pouco, porque logo vieram buscá-la para prestar depoimento em Ribeirão Preto.”
O diretor do presídio, Eduardo Bonfim, afirmou que até o momento Natália não pediu nada de especial. Bonfim preferiu não se pronunciar sobre o caso. “Minha parte é só guardá-la aqui.” A mãe de Joaquim deve ficar recolhida em Franca pelo menos até o término do prazo determinado pela Justiça para que a Polícia encerre o inquérito e esclareça a morte do garoto. Natália pode ter a prisão prorrogada, assim como o marido dela e padrasto de Joaquim, Guilherme Longo, que também é suspeito da morte do menino e foi encaminhado para um presídio de Barretos (SP).
Joaquim desapareceu da casa da família em Ribeirão Preto na madrugada do dia 5. Foi encontrado, no Rio Pardo, em Barretos, a cem quilômetros da residência. Ele teria sido jogado no córrego perto da sua casa. O padrasto é o principal suspeito. A polícia investiga se o menino morreu por superdosagem de insulina - ele era diabético. Longo alega inocência.
Pai de Joaquim viaja e tenta superar a morte do filho
O pai biológico de Joaquim, Arthur Paes manteve desde o início das buscas pelo menino a esperança de encontrá-lo vivo. A confirmação da morte do filho, após o corpo de Joaquim ser encontrado no Rio Pardo, em Barretos (SP), abalou o produtor de eventos.
Assim como no enterro, realizado em São Joaquim da Barra (SP), Arthur ainda prefere manter o silêncio sobre o assunto. Um de seus melhores amigos, Reginaldo Scali, falou ao Comércio e revelou como Arthur está conduzindo a triste situação. “O Arthur é uma pessoa extremamente espiritualizada. Ele está uma fortaleza. Pode ser que desabe a qualquer momento, mas por enquanto está firme. Não está tomando remédio nenhum e está bem de verdade, mas se cair e se esparramar estamos aqui do lado para juntar.”
De acordo com o amigo, uma missa em homenagem a Joaquim foi realizada na última quarta-feira em São Paulo e lotou a Igreja São Judas Tadeu. “Foi uma missa muito emocionante. O Arthur chorou bastante, ele sente toda dor, mas não foi uma coisa que tirou ele do prumo. Agora, ele foi viajar com a mãe para um sítio da família e na segunda-feira nos encontraremos no Rio de Janeiro. Ele vai participar do programa Mais Você, com a Ana Maria Braga, e provavelmente do Encontro com Fátima, da Fátima Bernardes, também.”
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