Ainda não é o fim


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Com estas palavras animadoras e cheias de esperança o Senhor fala conosco por meio da sua Palavra que será proclamada nas missas deste domingo. Vejamos o significado, contido nas leituras da Palavra de Deus reservadas para hoje: Malaquias 3, IIª Carta aos Tessalonicenses 3 e Lucas 21

Primeira Leitura — Malaquias 3: Malaquias vive em época difícil para o povo de Israel. As pessoas estão desanimadas. Falta comida, terra para cultivar, casa para morar. Há motivos para perder a confiança em Deus e, de fato, alguns começam se manifestar: ‘É trabalho perdido servir a Deus’. Malaquias ouve mas não fica indignado. Entende que corações amargurados falam assim, e as pessoas precisam não de repreensão, mas conforto e de esperança.
É neste ponto que começa a leitura. Malaquias continua: ‘Eis que vem o dia, ardente como uma fornalha...’. O que significam estas profecias? A mensagem não é para incutir medo, mas consolo e esperança. Quando Malaquias afirma que os ímpios serão destruídos não está dizendo que o Senhor punirá os maus, atirando-os nas chamas do inferno. Deus não faz isso. O seu fogo aniquila como palha, não os homens, mas o mal que existe dentro do homem.
O dia do Senhor chegou. É o dia da morte e ressurreição de Cristo, sua Páscoa. O ‘sol de justiça’ é o próprio Cristo. O fogo que destruirá todo o mal já foi aceso: é o Espírito que nos foi enviado por Jesus, é a sua Palavra, seu Evangelho, que já começou a renovar a face da terra. O Reino de Deus está entre nós, embora tenhamos que esperar para verificar o pleno triunfo do bem no coração de todos os homens.

Segunda Leitura — IIª Carta aos Tessalonicenses 3: Na comunidade de Tessalônica se difundiam boatos perigosos: cristãos fanáticos afirmavam que este mundo estava chegando ao fim, e que Jesus estava prestes a voltar para dar início a mundo novo. A situação se tornava preocupante, e Paulo teve que intervir. Embora gostando muito dos tessalonicenses, na última parte da sua carta Paulo os adverte severamente. Lembra-lhes o exemplo de sua vida: ‘eu nunca fui um indolente, nunca fui peso para ninguém; anunciei o Evangelho gratuitamente, mas não aceitei esmolas de ninguém’. Essa independência econômica é motivo de muito orgulho para Paulo. Depois de ter apresentado o exemplo da própria vida, lembra aos tessalonicenses, lembra: ‘Quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer’, sobre a necessidade de dedicar-se ao próprio trabalho.

Evangelho — Lc 21: Quando ocorrem perturbações políticas, quando se alastra a fome, epidemias, injustiças, quando a miséria se torna insuportável, e boatos se espalham sobre o fim do mundo. Lucas escreve cinquenta anos depois da morte e ressurreição de Jesus. Houve guerras, revoluções políticas, catástrofes; o templo de Jerusalém foi destruído, os cristãos foram vítimas de perseguições. Como explicar? Todos se lembram das palavras do Mestre: ‘Haverá grandes terremotos em várias partes, fome e peste, e aparecerão fenômenos espantosos no céu, e lançarão as mãos sobre vós’. Alguém começa a interpretar as calamidades que estão acontecendo como sinais de que o fim do mundo está próximo e que o Senhor Jesus está para aparecer entre as nuvens. O Evangelho dá uma resposta a essas falsas expectativas: ‘é necessário que isto aconteça primeiro, mas não virá logo o fim’.
O mundo novo já começou, mas sua manifestação será lenta e penosa. Será semelhante a um parto e acontecerá na dor. O fim do reino do pecado não deve ser confundido com a destruição da terra onde vivemos. As verdadeiras preocupações dos cristãos devem ser outras, a exemplo de saber o que se deve fazer hoje, manter-se vigilante para estar pronto a acolher o Senhor em qualquer hora.

Monsenhor José Geraldo Segantin
Administrador Diocesano - segantin@comerciodafranca.com.br

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