A região Oeste do Estado é uma porta de entrada de fuzis contrabandeados, segundo o comandante-geral da Polícia Militar do Estado, coronel Benedito Roberto Meira. Ele esteve esta semana em Presidente Prudente para traçar estratégias específicas de combate ao tráfico de armas nas estradas regionais. A região faz divisa com o Mato Grosso do Sul que, por sua vez, é rota alternativa para o crime organizado oriundo de países da fronteira como o Paraguai. Há alguns dias, um fuzil calibre 7 milímetros foi apreendido em Dracena. A arma era transportada junto com um carregamento de maconha que tinha como destino a Grande São Paulo. A ação da cúpula da PM foi noticiada pelo jornal O Imparcial, da Rede APJ (Associação Paulista de Jornais).
Para Meira, o crime organizado e as quadrilhas especializadas no tráfico de drogas estão, cada vez mais, buscando armamentos pesados para enfrentamento às polícias. Ações envolvendo ataques a PMs com fuzis foram registradas nas últimas duas semanas em Ribeirão Preto e Campinas, além de vários episódios na capital. De acordo com o jornal, 8 membros de facção criminosa estão isolados no Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes, por conta de solicitação do MPE. O órgão interceptou ligações de integrantes do grupo feitas de dentro da penitenciária de Presidente Venceslau, nas quais os detentos delegavam ordens relacionadas ao tráfico de entorpecentes, aquisição de armamentos, entre outras ações a serem executadas do lado de fora das grades. Ao todo, o MPE requisitou à Justiça a transferência de 35 presos.
Mães da Sé: Pessoas desaparecidas são um tema quase sempre tratado como excêntrico e ainda não ganhou a importância que merece, inclusive da imprensa. Na Assembleia Legislativa de São Paulo está em andamento uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que trata desse tema delicado, pouco discutido e que merece mais reflexão e ação das autoridades. Quarta-feira, a comissão colheu depoimento de Ivanise Esperidião da Silva Santos, que expressou com os sentimento de mãe a dor de pais, familiares e amigos de desaparecidos. Ela preside a Associação Brasileira de Busca e Defesa da Criança Desaparecida, Organização Não Governamental (ONG) mais conhecida como “Mães da Sé”, uma analogia às famosas Mães da Praça de Maio, que se reúnem em Buenos Aires.
Ivanise é mãe de Fabiana, sumida em 1995, aos 13 anos de idade. Para ela, desde então a conscientização da sociedade sobre o problema do desaparecimento de pessoas avançou, mas o descumprimento da Lei estadual 10.299, que determina que hospitais comuniquem às autoridades o atendimento de pessoas sem identificação, continua sendo um obstáculo. “Para o Estado, nossos filhos são apenas números no boletim de ocorrência feito na delegacia, números quando são encontrados sem identificação, números quando são enterrados como desconhecidos”, queixou-se. A CPI é presidida pelo deputado José Bittencourt (PSD).
A CPI ouviu ainda a presidente da organização Mães em Luta, Vera Ranu, cuja filha, também Fabiana, está desaparecida desde 1992, quando tinha 13 anos. Ela cobrou uma política pública para tratar do desaparecimento de pessoas, com ações como um cadastro nacional de desaparecidos. “Temos um cadastro nacional de carros, mas não de pessoas”, criticou. Sugeriu também a criação de banco genético, “onde o DNA de todas as pessoas fique registrado e possa ser usado para identificação”. Mesmo intuindo que a pessoa procurada possa estar morta, familiares de desaparecidos sofrem com a incerteza e a dificuldade em identificar o corpo.
Estima-se que, por dia, desaparecem 20 pessoas no Estado de São Paulo. As razões vão desde problemas mentais até o tráfico de pessoas. Na Polícia, ainda vale a regra segundo a qual nada é ser feito até 48 horas passadas da constatação do suposto desaparecimento. A norma existe porque muitos casos são resolvidos nesse tempo, especialmente os de adolescentes que fogem de casa e depois dão notícias. Muitos parlamentares consideram absurda a regra e vão cobrar mais agilidade.
Wilson Marini
Jornalista - email wmarini@apj.inf.br
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