Teoria e prática


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A defasagem entre teoria e prática de recém-formados em cursos de licenciatura — aqueles aptos a dar aulas em escolas públicas e particulares — preocupa especialistas ligados à educação. O próprio ministro Aloízio Mercadante, em encontro com cerca de mil secretários municipais, declarou que ‘não dá para formar um professor só lendo Jean Piaget’ (famoso pensador da educação).A declaração mostra a realidade da formação dos professores brasileiros: excessiva carga teórica em relação à atividade prática, o que, segundo especialistas, é uma das razões da baixa qualidade da educação no país.

Pesquisa desenvolvida pelas Fundações Victor Civita e Carlos Chagas aponta que em cursos de licenciatura que formam professores de língua portuguesa e ciências, a carga horária da prática docente não passa dos 10%. Em resultado, professores chegam à sala de aula com conhecimentos da disciplina, mas não sabem ensinar. São especialistas em língua portuguesa, e não professores. São matemáticos, cientistas, historiadores, mas não docentes de disciplinas.

A Finlândia, um dos países nórdicos com melhor índice educacional do planeta, resolveu isso com um modelo de residência pedagógica. O treinamento do professor é realizado na sala de aula, após o aluno ter cumprido os créditos das aulas teóricas na universidade. É um modelo parecido com residência médica. Os médicos, no caso, cumprem de dois a três anos de treinamento prático em hospitais, antes de receber o título de especialista.

Hoje, muitos estagiários de pedagogia que atuam como segundo professor na sala de aula, emanam de parcerias do CIEE com administrações públicas. A experiência profissional faz com que o jovem conheça sua profissão na prática, aplique seus conhecimentos teóricos e aprenda os segredos da carreira com profissionais mais experientes.

Luiz Gonzaga Bertelli
Presidente executivo do CIEE, da APH (Academia Paulista de História)

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