Ubiali (PSB) disse que o livro é um “retrato” da realidade da política brasileira atual.
Como surgiu a ideia do livro?
Conversei com o Sérgio Trombeli, que é especialista nesta área. Disse a ele que não havia nenhuma literatura disponível que tratasse do funcionamento de um gabinete. Então, tivemos a ideia de escrever. O livro é uma análise de por que alguns políticos têm sucesso e outros não. Eu, por exemplo, participei de cinco eleições e só venci uma. Não posso dizer que tenho sucesso na política. Mas eu analisei onde estavam os erros e observei o comportamento daqueles que obtinham sucesso.
O livro diz que os interesses de investidores de campanha devem ser priorizados pelo político depois de eleito e sugere tráfego de influência.
Não... Na verdade, o livro não sugere. Ele é uma constatação. O que a gente observou aqui na Câmara é que os financiadores de campanha têm uma influência sobre a política. Se não der atenção aos financiadores, eles não vão continuar te apoiando. O que você tem que ter cuidado é com quem é o seu apoiador.
O senhor diz que o indicado para cargo em comissão deve defender quem o indica. Também afirma que se não receber cargos em troca de apoio, o político deve passar a fazer oposição...
Esse foi o problema do livro: é muito franco. O que escrevi no papel é o que acontece realmente. Eu mesmo não tive cargo nenhum à disposição apesar de fazer parte da base. Porque para ter cargo à disposição é preciso outra coisa que não está no livro: influência política, muito voto.
O senhor acha que o político para ter sucesso deva seguir os conselhos do livro, já que não são seguidos nem pelo senhor?
O que escrevi é para aqueles que querem ter sucesso na política. Se seguir o que escrevi, terá muito mais sucesso do que tive.
Como o senhor vê o fato de alguém que tem um mandato agir atendendo aos seus próprios interesses e aos interesses daqueles que podem financiar sua campanha?
O que eu faço aqui em Brasília? Eu defendo o interesse de Franca, dos empresários do setor calçadista. A gente faz isso naturalmente. Não há nenhum problema com isso.
O senhor também diz que deve agir assim para defender os próprios interesses. Como assim?
Ora, quando escreve que o cargo do indicado deve privilegiar os interesses de quem o indicou ou que os interesses de financiadores devem ter prioridade, o senhor está agindo em proveito próprio...
O cargo é do político (...) Nossa proposta é olhar o livro como um todo, ele diz sempre isso: você quer continuar a ser político, então, tem que atender as demandas políticas. Tem que ocupar o seu espaço, porque se você não o fizer, outro fará.
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