Uso de produto irregular pela Santa Casa gera acusação de demitidos


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Foto de arquivo mostra pedestres em frente à entrada principal da Santa Casa de Misericórdia de Franca; hospital afirma que demissões fazem parte de reestruturação e nega ligação com reclamações
Foto de arquivo mostra pedestres em frente à entrada principal da Santa Casa de Misericórdia de Franca; hospital afirma que demissões fazem parte de reestruturação e nega ligação com reclamações

Oito ex-funcionários da Santa Casa de Franca alegam ter sido demitidos “injustamente” pelo hospital há cerca de dois meses. O motivo, segundo eles, é que todos reclamaram de um produto de limpeza irregular, sem registro na Anvisa, que não limpava as roupas corretamente e aumentava o risco de os pacientes contraírem infecção hospitalar.

Um desses funcionários é a enfermeira Sara Rodrigues Kellner, que fazia parte da comissão de controle de infecção hospitalar do hospital. No dia 9 de agosto, ela foi informada dos problemas na lavanderia. “Virou um caos. Quando cheguei lá, a roupa estava completamente suja, saía do mesmo jeito que entrava. Tinha mais de 20 carrinhos voltando para serem lavados”, narrou Sara. “Naquele dia, a lavanderia parou”, completou a ex-encarregada da lavanderia Darlete Silva, também demitida.

Ela explicou que o problema eram os produtos utilizados para a limpeza, que se mostraram “inadequados”. “Os sabões e amaciantes não eram próprios para lavanderia hospitalar, e sim para uso domiciliar. Como eles não eram específicos, não tinha nem como diluir na máquina da Santa Casa. Eles não passaram por testes nem tinham registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) por não serem produtos hospitalares. Além disso, cada 8 ml dos produtos anteriores equivaliam a 30 litros dos novos. Eles iriam elevar os custos de limpeza em R$ 4 mil por dia”, afirmou a enfermeira.

Mas, segundo ela, o problema mais grave de utilizar os produtos era o risco de infecção hospitalar. “Se a roupa não é bem lavada, o paciente pode ser contaminado. Como poderia mandar uma roupa com resíduos corporais e sangue para um paciente que já está debilitado?”

Funcionária há cinco anos da Santa Casa, Sara adotou o procedimento de “praxe” e notificou o hospital sobre o que estava acontecendo na lavanderia. Por um lado, a queixa deu resultado: os produtos foram confiscados pela Vigilância em Saúde em 2 de setembro, e os produtos antigos voltaram a ser utilizados. Mas, segundo os ex-funcionários, a queixa de Sara, Darlete, de outra enfermeira e cinco lavadores teve um desdobramento que não esperavam. “Vinte dias depois do acontecimento, demitiram todos nós. Nunca tive uma advertência, sempre fiz meu trabalho corretamente. Eles me disseram que a lavanderia havia feito muito barulho. Foi tudo muito injusto: se você faz o certo, te demitem”, revoltou-se Sara.

Santa Casa
Em nota, a Santa Casa se limitou a afirmar que o hospital tem feito reestruturações constantes nos quadros de funcionários de diversos setores desde o início da atuação do Comitê Gestor (em abril deste ano), com o objetivo de reduzir custos e melhorar o atendimento à população.

A secretária de Saúde, Rosane Moscardini, que também faz parte do comitê, confirma o posicionamento do hospital, informando que mais de 100 pessoas foram demitidas do hospital para reduzir custos. Procurar novos produtos e fornecedores também faria parte do processo de reestruturação. “Estamos fazendo vários testes com várias empresas em todos os departamentos da Santa Casa”, afirmou.

Rosane confirmou que os produtos de limpeza em questão estavam sendo utilizados em fase de teste, mas apenas de forma parcial. Atualmente, ela garante que o produto usado na lavanderia é o costumeiro. “Eu mesma pedi, enquanto comitê gestor, que a Vigilância fizesse a vistoria deles (os produtos). Ela foi feita e os materiais foram recolhidos porque não havia o alvará da Vigilância.”

Quanto à falta do registro na Anvisa, Rosane alega que, na época, “não sabia”. “Ela (a fabricante) falou que tinha o registro, e quando a Vigilância foi fazer a vistoria, ela viu que não tinha, e o produto foi recolhido”, disse.

O chefe da Vigilância em Saúde, José Conrado Netto, acrescenta que a fabricante, que tem sede em Franca, foi advertida porque não podia comercializar os produtos sem estar registrada na Anvisa. “A empresa não foi autuada porque, no momento da vistoria, ela não estava fabricando nada nem tinha resquícios de produtos fabricados”, informou.

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