Dor, revolta e pedidos de Justiça marcaram o enterro do menino Joaquim Ponte Marques, 3, ontem no Cemitério Municipal de São Joaquim da Barra. A cidade natal de sua mãe, a psicóloga Natália Ponte, 29, parou para acompanhar o velório e sepultamento. Centenas de pessoas, entre familiares, amigos e moradores, prestaram solidariedade à família e deram o último adeus ao garoto, cuja história do desaparecimento e morte sensibilizou o país na última semana. A mãe de Joaquim e o padrasto, o técnico em informática Guilherme Longo, foram impedidos pela Justiça de deixar a prisão e acompanhar a cerimônia de despedida (leia texto nesta página).
O corpo chegou ao velório por volta de 10h30. A Polícia Militar isolou o prédio e permitiu apenas a entrada de familiares que, acompanhados de um padre, rezaram e se emocionaram. Após as orações, pouco depois do meio-dia, uma fila foi organizada e as pessoas puderam se aproximar do caixão que estava lacrado - em cima havia uma foto do garoto e uma rosa vermelha. A fila se estendeu por pouco mais de uma hora até ser interrompida, por volta das 13h40, para o enterro. Sob aplausos, o caixão seguiu do velório para o cemitério. Além do pai de Joaquim, o produtor de eventos Arthur Paes, familiares do garoto e populares acompanharam o cortejo.
Durante o sepultamento, mais orações e aplausos a Joaquim. Muito abalado, Arthur chorou momentos antes de o caixão ser colocado no túmulo. A avó materna, Cristina Ponte, disse as últimas palavras ao neto. “Joaquim, eu te amo. Você não vai sofrer nunca mais. A vovó vai te amar para o resto da vida. Esteja com Deus, com a Virgem Maria e com os anjos.”
Clamor
No momento em que o corpo de Joaquim foi colocado no jazigo da família, uma mulher que participava do enterro gritou: “São Joaquim da Barra quer Justiça”. A maioria dos presentes aplaudiu a dona de casa Mariza Aparecida Evangelista da Silva, que disse expressar a vontade da população. “Não conheço os avós, os pais e ninguém da família dele, mas eu, como todos os joaquinenses, peço que tenha Justiça. Esse crime não pode ficar impune. Seja quem for que tenha feito isso, eu peço Justiça! Onde já se viu um anjo de 3 anos, que não faz nada com ninguém, morrer assim?”
Assim como Mariza, outros presentes também expressaram sua revolta. A aposentada Maria de Fátima da Silva Paula repetiu várias vezes que não acreditava na inocência da mãe de Joaquim. “A cidade toda está abalada e nós queremos Justiça. A Natália é daqui, mas ela tem culpa tanto quanto o padrasto. Ela foi dormir? Justo naquela noite, foi ter um sono profundo? Ela conhecia o marido que tinha dentro de casa. É muita revolta. Os pais dela são daqui, é uma família tradicional e digna. Eles não têm culpa, viemos em solidariedade a eles e ao Joaquim.”
Silêncio
O pai de Joaquim, Arthur Paes, se restringiu durante o velório ao apoio dos amigos e familiares que vieram de São Paulo para o enterro. Com a imprensa, preferiu manter o silêncio. Ao ser consolado por moradores da cidade, repetiu frases positivas: “Meu filho é maravilhoso!”; “Tenha fé, ele está em um lugar muito bom!”; “Ele está muito bem, lá não tem maldade”.
Prisão
O corpo de Joaquim foi encontrado pelo dono de um rancho, boiando no rio Pardo, em Barretos, no início da tarde do último domingo. À noite, Natália e Guilherme tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça.
Há informações de que Natália estaria presa na cadeia do Guanabara, em Franca. O Comércio entrou em contato com a carceragem do local no final da tarde de ontem, que informou que a psicóloga havia saído de lá “com o pessoal de Ribeirão”, mas ficou na cadeia de domingo para segunda-feira.
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