No Tiro de Guerra, meninos viram homens; veja fotos do treinamento


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Quase cem atiradores de Franca viveram um dia de prova à resistência física e psicológica em treinamento numa fazenda em Cristais Paulista
Quase cem atiradores de Franca viveram um dia de prova à resistência física e psicológica em treinamento numa fazenda em Cristais Paulista

“O preço da liberdade é a eterna vigilância”. Em cima dessa premissa, o Exército Brasileiro forma todos os anos milhares de soldados nos 250 Tiros de Guerra, os TGs, espalhados por todo o País. Quem já serviu, sabe do que estou falando e se enganam aqueles que pensam que é “moleza”.

Jovens de 18 a 20 anos são submetidos a testes de aptidão física, resistência e sobrevivência em ambiente hostil que fariam qualquer atleta profissional pedir água. Todos esses exercícios são obrigatórios no TG de Franca e acompanhados por marchas de 20 quilômetros que vão da fazenda Belo Horizonte, localizada na zona rural de Cristais Paulista, à avenida Brasil, no bairro São José.

Eu e o repórter fotográfico Wilker Maia participamos da última - e desgastante - marcha do ano e acompanhamos os momentos de angústia e exaustão vividos por 86 atiradores.

O dia de quem foi escolhido para servir a pátria por quase oito meses começa cedo. Acordamos 4 horas da manhã no dia 24 de outubro para acompanhar a preparação do jovem Alex Vieira, 19, que desde de pequeno sonhava em se alistar e realizar um sonho antigo de seu pai, também atirador no ano de 1985.

Às 5h50, Alex e todos os outros atiradores estavam em forma para a revista da tropa. Dentro das imensas mochilas apenas o necessário para as próximas 30 horas. Como já havia passado pela mesma experiência quando era mais novo (e mais magro) no TG de Bauru, em 2006, fui equipado com muito protetor solar, biscoito e um blusão, para aplacar a noite fria do acampamento improvisado ao relento.

Nossa alimentação foi cedida pelos instrutores do treinamento e veio em boa hora tanto no almoço, quanto no jantar. A escolha foi a combinação de proteína e carboidrato (macarrão com linguiça) que não pode ser compartilhada com o restante de nossos novos amigos. Para os atiradores, foi servido um sopão de miojo em vasilhas de isopor que foram reutilizadas antes do descarte.

Pelotão ‘caça-naba’
Atirador que pisa fora da linha no Exército não fica sem castigo. Na revista da tropa é observada a apresentação pessoal de cada soldado que deve sempre estar com o cuturno bem engraxado, cabelo cortado e barba feita. Quem não obedece as ordens dos sargentos ou monitores também acaba punido e ingressa no temido pelotão “caça-naba”.

Os representantes desse agrupamento normalmente são escolhidos para as piores missões, seja transportando equipamentos mais pesados ou fazendo as vigílias noturnas nos piores horários.

Desafios
Sapatos confortáveis e muita disposição também foram necessários para registrar tudo que viria pela frente. Mas o grande problema enfrentado por mim e por todos não era fome, calor ou frio, mas sede. Muita sede. Durante o racionamento extremo, na marcha, alguns atiradores “erravam” de mochila e pegavam a água alheia. A grande maioria, entretanto, era solidária e repartia seus suprimentos em um gesto de companheirismo e união.

Apesar do peso, todo atirador levava nas costas de 2 a 5 litros de água para se hidratar no meio do caminho. “Sejam moderados em suas necessidades”, dizia o rigoroso sargento Gian Carlo, 43, que pedia a todo instante para beber somente nas paradas. “Bebendo grandes quantidades de água, seu corpo perde sais minerais com a transpiração e você desidrata mais rápido.”

Mas não adiantava falar, o calor era muito forte, mais de 30ºC, e a marcha parecia não ter fim. Muitos não aguentaram as dores nos pés, a náusea e o esgotamento psicológico de um dia exaustivo, com pouca comida e sem dormir. Ficaram pelo caminho e tiveram de ser resgatados por uma equipe de apoio. A chegada a Franca foi à uma hora da tarde. No TG, meninos viram homens.

Confira as fotos:

Manhã de quinta-feira:

Tarde de quinta-feira:

Noite de quinta-feira:

Manhã de sexta-feira:


 

Tarde de sexta-feira:

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