Se as leis não mudarem...


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Irritei-me, esta semana. Estava ao microfone da Difusora, apresentando o Jornal da Noite. Comigo, o repórter Barros Filho, no boletim de polícia. Ele contava a história de garota de 12 anos que não respeita a mãe, falta recorrentemente da escola, sai de casa a qualquer hora sem dar satisfação alguma e só volta de madrugada. Repito: tem 12 anos. Naquele dia, a mãe saiu à sua procura e a encontrou com rapaz de 18 anos, altas horas da noite, em praça pública. Cansada das estripulias da filha, desceu-lhe pedagógicas chineladas, essas que agora, pais e mães não podem mais praticar por que a lei blinda menores contra ‘qualquer tipo de violência’.

Resultado da opereta bufa do ‘teatro Brasil’: a mãe foi denunciada pela ‘violência’ e está às voltas com a Justiça. Provavelmente, a mocinha que o sistema transformou em ‘dona do próprio nariz’, está livre (da mãe, e de deveres). Gritei alguns impropérios ao arcabouço de leis que garante viéses como esse. (Lembro-me das duas únicas vezes em que meus pais me corrigiram com dureza. Bastaram, para mim. Vejo, ainda, a tristeza que vi estampada no rosto de meu pai. Percebi, depois, que era tristeza por causa do erro que cometi, mas também, por sentir pelo castigo que me dava. Lembro-me também de tentativa — fracassada — de escapar de minha mãe, que só serviu para deixá-la ainda mais brava. Deixaram de falar comigo por um brevíssimo tempo — que me pareceu eterno —, e doeu mais que os puxões de orelha e tapas na bunda. Senti-me sem chão, completamente desprotegido. Deram-me a exata medida do que significavam suas presenças, cuidado, preocupação. Não guardei rancor. Compreendi. Feliz quem tem alguém que consigo se preocupe).

Claro que os preferia felizes comigo, e, então, praticava a educação que me ensinaram. Mostravam o certo e o errado, mas deixavam-me à vontade para testar. Errasse, sabia-os perto, porto seguro. Arrependi-me do arroubo ao microfone e pedi desculpas a meus ouvintes.

Educação de filhos, da porta da casa para dentro, tem que continuar sendo coisa só de pai, mãe e filho. Leis não têm que ingerenciar na criação. O Estado não têm que ditar normas de relacionamento em família a não ser que possa se responsabilizar integralmente pela educação, formação de personalidade, transferência de ética e de caráter. Aliás, convenhamos, a maioria dos homens que estão desenhando as leis que colocaram tudo de ponta-cabeça não têm perfil muito adequado para coisas tão sérias quanto essas, pois não?

HONRA, HONRA, HONRA: Tenho falado, aqui de um ex-companheiro de escola, Amir Antônio Miguel, que se tornou Delegado Seccional de Polícia e hoje, por trabalho e mérito, está aposentado. Vejo-o menos do que gostaria. Somos, ambos, partidários da antiga educação, aquela recebida em casa de pais e mães absolutamente comprometidos com homens e mulheres decentes que deveriam se tornar. Também, dos professores que tivemos, respeitados por nós e pelo Estado (da época, diferente do de hoje). Podiam se dedicar à profissão com foco já que seus vencimentos lhes bastavam. Pois bem. Encontrei com Amir e sua mulher, Narmen, ontem. O casal me surpreendeu e emocionou. Foi Narmen quem contou que Amir, a cada sábado, lê, comenta, e, com carinho, recorta o texto e o guarda na pasta especial que não tira da vista quando se encontra com seus companheiros para debater cidadania. Honra e responsabilidade, caro Amir. É bom comprovar que o poder de multiplicação que este Comércio confere ao que aqui se publica, permite fortalecer ideias junto a gente (muito) séria. Quem sabe, com vozes uníssonas, possamos remeter pessoas a escolher melhor nas eleições próximas para que as leis mudem e, à mãe do início deste texto seja, finalmente, devolvido o poder de corrigir sua desencaminhada anjinha. Se não acertou até agora, é por que as leis não deixaram. Paternidade responsável nunca foi, não é e jamais será virtude do Estado, que quer outras coisas, isto sim...

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br

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