Um rapaz investigado em mais de 100 furtos na zona norte da cidade e conhecido nos meios policiais pelo apelido de “Juninho do Petrópolis” está nas ruas novamente. Cleomar Campos Júnior, 18, é acusado de ter cometido vários delitos nos últimos cinco meses, tendo sido preso em flagrante no último dia 16 após tentar invadir a casa de um membro de sua família. O problema é que passados apenas 23 dias de sua prisão e mesmo tendo confessado outros 22 delitos, a Justiça decidiu soltá-lo. Nas ruas, ele voltou a agir.
Uma das principais características do adolescente é saber onde atacar. A maioria de suas vítimas é formada por familiares, conhecidos e vizinhos. Ele estuda a vida dessas pessoas, os horários em que estão ausentes e age tranquilamente, as vezes, em plena luz do dia. Há relatos de vítimas furtadas mais de uma vez.
Segundo uma parente de Juninho que preferiu não se identificar por medo, o rapaz invadiu sua residência na semana passada, entrando pelo telhado. “Não quero mais morar aqui. Ele desconfia que fui eu que o denunciei para a polícia. Quero me mudar, porque não tem outro jeito. A polícia até prende, mas ele sai outra vez”, desabafou a mulher que também mora na zona norte (City Petrópolis).
Segundo a polícia e parentes, Juninho é viciado e troca tudo o que consegue com o crime por drogas. Ele já foi autuado em flagrante em diversas outras oportunidades. Já ficou preso, mas nunca por muito tempo. Da primeira vez, ele passou seis dias recolhido no CDP (Centro de Detenção Provisória). Na segunda, sete dias. O delegado Hélder Rodrigues, chefe do 5º Distrito Policial, disse que vem trabalhando para prendê-lo. Agora tem elementos para pedir sua prisão preventiva. Rodrigues quer isso o mais rápido possível, pois entende que ele é um perigo para sociedade.
Ele explicou que após encaminhar o inquérito ao Fórum, o juiz tem prazo para decidir se o criminoso deverá ficar preso até o julgamento ou se poderá responder ao processo em liberdade. Crimes patrimoniais como furto, tem menor potencial ofensivo e, por isso, normalmente, o indiciado é solto poucos dias depois.
Promotoria
O promotor Carlos Constantino, em entrevista ao Comércio da Franca, teve acesso ao processo do réu e explicou que Juninho foi solto porque mesmo tendo sido envolvido em crimes anteriores, nenhum deles foi julgado. Sem condenação, o rapaz não é considerado perigoso. “Se o delegado (Hélder Rodrigues) reunir todos os casos desse rapaz e julgar necessário prendê-lo preventivamente, nós (promotoria) vamos concordar”.
De acordo com o Código Penal Brasileiro, o furto (Art 155) é passível de pena de 1 a 4 anos de reclusão em regime fechado. Se ele for cometido através de escalada, abuso de confiança ou destruição e arrombamento, como é o caso da maioria das ações atribuídas a Juninho, a pena pode até dobrar.
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