Vinha andando pelo corredor da faculdade. Um ex-aluno chegou a mim e perguntou:
- O senhor AINDA dá aula?
Pergunta típica que fazem a quem já não deveria estar preso a horários, a compromissos profissionais, em razão da idade.
- Você ainda trabalha?
Que força tem este advérbio ainda... É de tempo, mas de um tempo comparável a prazo de validade vencido. O implícito da pergunta é cheio de censuras, como se dissessem: - Você não percebeu que está na hora de sossegar, de dar o lugar para outro bem mais jovem, mais disposto, certamente mais necessitado do que você? Será? Eu me sinto tão disposto a continuar com meus cursos, minhas palestras, minhas aulas... Hoje, sinto, tudo sugere que sei muito mais do que sabia antes. Que prazer tenho ao ministrar, ainda de forma eficiente e eficaz, cursos de Oratória, Comunicação, Programação Neurolinguística, Inteligência Emocional... Que belo prazer me visita ao administrar uma editora universitária. Confesso: encontro-me em plena forma física e mental. Para que me acomodar?
Enfim: AINDA ministro aulas, e continuarei com elas enquanto a velha chama interior permanecer acesa e contribuir para iluminar o caminho de muita gente. Inclusive, o meu próprio caminho!
Everton de Paula,
acadêmico e editor. Escreve para o Comércio há 43 anos
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