Moro no décimo andar de um edifício muito alto.
Os amigos estranham as grades que mandei colocar nas janelas. Fizeram blague.
- Está com medo?
- Estou.
- De ladrões?
- Não.
Quando se vão, confesso a mim mesmo:
- Tenho medo de a solidão empurrar meu amor desvalido, de ele se espatifar lá embaixo, no meio da rua.
Luiz Cruz de Oliveira,
professor, escritor, membro da Academia Francana de Letras
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