Quem lê o Comércio diariamente sabe muito bem que esta folha só chega ao limiar dos 100 anos de circulação ininterrupta (que serão comemorados em 2015) em razão de uma atuação séria em defesa dos interesses de Franca e dos francanos, recebendo em troca credibilidade e prestígio junto à comunidade. O Comércio nunca foi instrumento de manipulação e nem se colocou como agente defensor de interesses que não os do município e da região. A sua longevidade e liderança entre os leitores francanos decorrem disso, que se pode resumir na palavra credibilidade.
Desta forma, não se entende o que o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) pretende ao reputar ao Comércio a publicação de “mentiras e inverdades”. Durante entrevista coletiva (e depois, ao falar à repórter Priscilla Sales), o prefeito utilizou a tática de que “a melhor defesa é o ataque”. Aplicada em conflitos armados, ao longo da história foi capaz de levar exércitos à vitória. Mas da forma como Alexandre age, mostra ser uma tentativa desesperada de alguém que, surpreendido em erro, tenta adquirir razão partindo para o confronto. Parece querer substituir uma explicação razoável para a forma como se beneficiou a empresa São José num acordo estranho e assinado na surdina.
Alexandre Ferreira incorre em imprecisões ao tentar desqualificar o trabalho jornalístico dos órgãos de comunicação de Franca. Principalmente o Comércio, que noticiou com exclusividade o acordo com a empresa de ônibus. Tenta desqualificar também a ação dos vereadores na CEI (Comissão Especial de Inquérito) da Câmara de Vereadores. Esta comissão concluiu que houve irregularidades no cumprimento do contrato original de permissão por parte da São José; e crime do prefeito ao assinar um acordo que cancelou multas e flexibilizou a aplicação de cláusulas do documento assinado pela empresa com a Prefeitura.
Aliás, nos últimos tempos, o prefeito de Franca tem se notabilizado em criar cizânia até com a sua base aliada no Legislativo francano. Agora, em vez de expor claramente as razões pelas quais autorizou à permissionária do serviço de transporte coletivo urbano descumprir cláusulas do contrato, além de ter suas multas canceladas, resolveu atacar não só o Comércio e a Câmara de Vereadores, mas também o “governo anterior” (do qual ele fez parte por seis anos, é bom lembrar), como se culpados fossem por todas as suas mazelas.
O prefeito ainda não percebeu claramente que deve explicações plausíveis à população que lhe outorgou o mandato. O francano, que no decorrer dos anos vem se incomodando com a falta de transparência e regras claras para o transporte urbano, continua aguardando um esclarecimento do prefeito sobre os lances desta história que permanece nebulosa. Não é o Comércio que exige que o fato seja esclarecido. São os francanos que merecem uma satisfação do Executivo municipal. A continuar neste pé, somente uma ação do Ministério Público será capaz de deslindar todos os lances que envolvem o acordo assinado pelo prefeito com o presidente da São José, tendo como testemunha apenas o procurador jurídico da Prefeitura.
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