O protesto que prometia causar tumulto no Centro da cidade no final da tarde de ontem não aconteceu. Com a chuva, apenas 20 dos 430 manifestantes que confirmaram presença, pela internet, no Ato pela Redução da Tarifa de Ônibus em Franca compareceram ao Terminal “Ayrton Senna”. Sem adesão, os organizadores decidiram adiar a manifestação para a próxima segunda-feira.
O protesto foi marcado depois que a CEI (Comissão Especial de Inquérito) entregou seus relatórios acusando o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) de ter cometido crime contra a lei de licitações e também de favorecer a São José, empresa responsável pelo transporte público na cidade. Os manifestantes pedem o impeachment do chefe do Executivo e também a rescisão de contrato com a São José.
Mesmo em número reduzido, o grupo foi alvo da atenção policial, que destacou várias viaturas, incluindo da Força Tática, para o terminal. Às 17h15, policiais abordaram o grupo e revistaram aqueles que usavam mochilas - alguns foram fotografados pela PM.
A tensão aumentou quando dois manifestantes foram flagrados, um com um taco de beisebol de alumínio e outro com duas latas de tinta em spray. Os objetos e seus donos foram levados pela polícia ao 1º Distrito Policial, o que provocou a indignação do grupo.
Na delegacia, um dos envolvidos comprovou ter mais de 18 anos, teve seu taco devolvido e foi liberado. Outro, um adolescente de 17 anos, precisou aguardar a chegada de sua mãe. “Estávamos apenas conversando. A polícia veio e levou para a delegacia um menor de idade por conta dos objetos que estavam na mochila dele. Isso sem ele ter feito nada e de uma maneira totalmente truculenta”, disse Luís Stival, porta-voz do grupo estudantil Domínio Público.
O tenente Jean Gustavo, que conduziu as ações policiais, desmentiu qualquer agressão. “Estamos aqui para garantir a segurança dos usuários das linhas (de ônibus) e também dos patrimônios públicos. Localizamos esse adolescente que estava com as latas de tinta que podem ou não terem sido usadas nas pichações desta madrugada (leia texto nesta página). Para que a perícia possa trabalhar melhor, ele foi levado à delegacia.”
Com o número pequeno de manifestantes, os organizadores decidiram suspender o protesto e remarcá-lo para segunda-feira. A expectativa é que, pelo menos, os 430 internautas que confirmaram presença pelo Facebook compareçam para expressar o descontentamento com a atual gestão. “Ele (o prefeito Alexandre Ferreira) é muito ruim, faz tudo errado. Esse acordo com a São José mostra que o povo da cidade está em último plano”, afirmou um manifestante que pediu para não ser identificado.
O acordo assinado pelo prefeito no último dia 4 de abril concedeu vantagens à empresa São José e ignorou as advertências feitas pela Prefeitura quanto aos constantes descumprimentos do contrato de exploração do transporte público da cidade cometidos pela São José.
Uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) foi instaurada pela Câmara para investigar os contratos do transporte coletivo. Depois de 120 dias de trabalho, o relator da Comissão, o vereador Nirley de Souza (DEM), protocolou suas conclusões na última sexta-feira, dia 1º. Em seu relatório, apontou diversas irregularidades no acordo assinado por Alexandre Ferreira e o acusou de omissão, favorecimento à São José e crime contra a lei de licitações.
Cinco dias depois, nessa quarta-feira, o prefeito convocou uma coletiva para comentar o posicionamento da Prefeitura sobre a CEI. Muito nervoso, distribuiu ataques e não deu explicações. Disse apenas que deve processar Nirley de Souza, além do presidente da Comissão, vereador Luiz Carlos Vergara (PSB), e “todos aqueles que atribuírem a ele conduta criminosa”. Também ordenou que fosse aberta uma licitação para a contratação de uma consultoria para analisar as planilhas de custo da Empresa São José.
Sua postura durante a entrevista acabou irritando ainda mais os manifestante que garantem que não vão desistir de ir às ruas protestar.
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