Denúncia: mulher que matou marido queimado pode ser presa


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A Polícia Civil concluiu o inquérito envolvendo a desempregada Rosemary Maria da Silva, 37, e encaminhou o processo ao Fórum com o pedido de prisão preventiva. Ela foi indiciada por homicídio qualificado por emprego de meio cruel. Em setembro, a acusada matou o marido queimado após uma discussão precedida de consumo de álcool e drogas. O Ministério Público do Estado de São Paulo concordou com o pedido e ofereceu a denúncia à Justiça ontem. A pena prevista em caso de condenação vai de 12 a 30 anos de cadeia.

O crime aconteceu no último dia 10 de setembro dentro de um barraco na rua Paschoal Bombicino, no Jardim Guanabara. Segundo apurado pela polícia, Rosemary e Valdir Rodrigues de Souza, 45, tinham um histórico de violência. Naquela tarde, o casal voltou a brigar. Vizinhos contaram a policiais terem ouvido vários gritos. Por volta das 17 horas, a teria mulher saído de casa, ido até um posto de combustível nas proximidades e comprado R$ 0,40 de álcool. Ainda de acordo com a investigação, ela retornou logo depois com um copo nas mãos, jogou o líquido no marido, riscou um palito de fósforo, ateou fogo e fugiu.

Desesperado, Valdir se jogou na terra para apagar as chamas. Um homem que passava pelo local chamou os bombeiros. A vítima foi internada na Santa Casa com 80% da parte frontal do corpo queimada. Três dias depois, morreu.

No dia anterior à morte, Rosemary foi visitar o marido no hospital. Ela disse que estava “arrependida e com dó dele”. Não teve tempo de se despedir. Descoberta por policiais do 2º DP, a acusada foi detida antes de entrar no hospital e levada para a DIG. “Havia um histórico entre ambos de uso de drogas. Em depoimento, ela confessou ter ateado fogo no marido após ter recebido ameaças”, disse o delegado Márcio Murari, responsável pelo setor de homicídios.

Como a investigação ainda estava na fase inicial e Valdir permanecia internado, Rosemary foi liberada após ser ouvida. Agora, com a conclusão do inquérito, a polícia pediu sua prisão preventiva pelo fato de a desempregada não possuir residência fixa e por “oferecer perigo” caso continue em liberdade. “A maneira fria com que ela cometeu um grave crime mostra a violência do que é capaz. Principalmente pelo uso de drogas e bebidas, provavelmente, poderá vir a acontecer outros problemas envolvendo esta mulher”, disse Murari.

O promotor de Justiça Odilon Nery Comodaro acatou a representação da Polícia Civil e denunciou Rosemary à Justiça por homicídio com a qualificadora de meio cruel pelo emprego de fogo. “Aguardamos, agora, a decisão judicial. Independentemente da prisão, se recebida a denúncia, o processo prosseguirá. Tudo indica que ela será levada a julgamento, pois o emprego de fogo ficou evidenciado”.

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