A carga tributária no Brasil é elevada, por todos os padrões que se examinam os fatos. Atualmente, estima-se em 36% do PIB o montante que transferimos aos cofres públicos sob a forma de tributos (impostos, taxas e outras contribuições). Parte do chamado custo Brasil, ou seja, tudo aquilo que o empresário paga para poder mobilizar fatores de produção e entregar produtos acabados. É o ciclo econômico, na sua versão simplificada e adaptada ao nosso país.
Aos tributos cabe adicionar outros itens desse custo Brasil. Os transportes vêm em seguida, onerando mais que o considerado normal em face das péssimas condições da infraestrutura. Para se ter uma ideia do que isto significa, basta pensarmos no transporte de soja do centro-oeste brasileiro para os portos de Santos ou Paranaguá, ou, ainda, para ficarmos bem perto de nós mesmos, de uma partida de calçados de Franca para Manaus. Bote custo nisso!
No Brasil, as bases das políticas econômicas estão concentradas em três pontos fundamentais: as metas de inflação, câmbio (mais ou menos livre) e o superávit primário. O PAC não nos traz muita satisfação, sobretudo quando nos lembramos da transposição das águas do Rio São Francisco; da situação das estradas que demandam os portos; dos projetos habitacionais, cujas casas são entregues inacabadas. Não somos bem sucedidos no gerenciamento das propostas de crescimento. E nosso índice de produtividade é baixo.
Voltando à carga tributária e, por extensão, ao custo Brasil, os habitantes da maior cidade do país estão às voltas com um aumento, no mínimo exagerado, do IPTU para os próximos exercícios. Pensando em custos, emprego, produtividade, viabilidade econômica de empreendimentos na área do pré-sal, chegamos à conclusão que a pressão inflacionária e o desemprego irão recrudescer. A recidiva da inflação está batendo nas nossas portas.
Vicente P. Oliveira
Economista, FEA/USP
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