Clínicas terapêuticas de Franca se inscrevem no ‘bolsa-crack’


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A Amarja (Associação Mão Amiga Recanto Janaína) tem atualmente capacidade para receber 12 dependentes químicos
A Amarja (Associação Mão Amiga Recanto Janaína) tem atualmente capacidade para receber 12 dependentes químicos

Duas clínicas terapêuticas de Franca poderão ser credenciadas no Programa Recomeço, idealizado pelo governo estadual com o objetivo de tratar os usuários de drogas. O Narev (Núcleo de Apoio e Recuperação da Vida) e a Amarja (Associação Mão Amiga Recanto Janaína) encaminharam os documentos solicitados e esperam cumprir as exigências do edital do programa. Apelidado de “bolsa-crack”, o Recomeço trata-se de um “vale tratamento” com cota de até R$ 1.350 mensais por paciente para ser usado somente em clínicas credenciadas.

Na primeira fase do projeto, o governo prevê atender 3 mil usuários de drogas em 11 cidades selecionadas. Franca não foi incluída nesta fase, portanto, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado, o Narev e a Amarja, se credenciadas, deverão atender inicialmente a demanda da cidade selecionada mais próxima - Ribeirão Preto.

Hoje, o Narev será vistoriado e poderá dar mais um passo rumo ao credenciamento. “Entraram em contato conosco e foi marcada uma vistoria na fazenda nesta quarta-feira de manhã. Dois órgãos vão vistoriar e emitir um relatório para a Secretaria do Estado, que vai avaliar e dar um retorno se será aceito ou não o credenciamento do Narev.”

Enquanto isso, a Amarja aguarda o retorno da análise da documentação encaminhada e o agendamento da possível vistoria.

Vagas
A disponibilização de vagas ficou a critério das próprias entidades. A assessoria de imprensa da Secretaria informou que, no momento do cadastro, a Narev disponibilizou 12 e a Amarja 20, mas houve alterações. Para atender exigências dos órgãos que regulam as entidades, a Amarja teve de retirar alguns beliches dos quartos e, com isso, a capacidade caiu para 12.

Tratamento
A busca pelo atendimento deve ser voluntária. O usuário será avaliado por uma equipe multidisciplinar, realizará exames médicos e, se for considerado apto, passará seis meses acolhido em processo de recuperação. A presidente da Amarja, Edna Maria Honorato, considera este tempo válido. “Não existe um prazo ideal, porque cada ser humano tem uma forma de reagir. Mas 180 dias é um tempo viável para que o dependente se restabeleça fisicamente para ter condições de começar a ter outras escolhas.”

A validação da presença do dependente químico nas atividades de recuperação e o acompanhamento da evolução do atendimento serão realizados através de sistema biométrico. Com as primeiras 3 mil vagas do “bolsa-crack”, é previsto que Governo Estadual tenha um investimento anual de R$ 48,6 milhões.

Franca
Com a conclusão da implantação da primeira fase, prevista para dezembro deste ano, há uma expectativa de expansão do programa. A partir daí, é possível que os dependentes químicos de Franca comecem a fazer parte do “bolsa-crack”. Para isso, o gestor municipal deverá assinar e cumprir os critérios do Termo de Adesão.

A secretária da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, Eloisa de Sousa Arruda, participou do 5º Congresso de Municípios, realizado em Franca no início de junho. Durante o evento, prefeitos da região reforçaram o pedido de inclusão no programa. Na oportunidade, a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, explicou que esta é uma outra frente de atuação no combate às drogas na cidade que pode virar realidade.

A secretária municipal de Ação Social, Gislaine Peres, também acredita na inclusão dos dependentes químicos de Franca no programa. “O Governo Estadual está disponibilizando por porte de município e, por enquanto, foram só aquelas 11 cidades. Um segundo passo será para cidades do porte de Franca, e aí eu entendo que estaremos dentro.”

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