Primeira comunhão


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Tenho utilizado esse espaço para partilhar algumas reflexões pessoais. Em algumas escritas aparece o advogado, em outras o professor, o marido, o filho, o pai, o religioso, enfim, as multifacetas que me compõem.

Acredito que com isso, aproximo-me de cada um dos que me leem. Fformamos uma comunhão, mesmo com quem não conheço. Alguns dos textos foram lidos em diversos lugares e oportunidades.

A escrita permite tocar e ser tocado. Pensando nisso, partilho outra experiência pessoal.

O meu filho, Gabriel, comungou pela primeira vez. Para os católicos, receber o corpo de Cristo é sacramento. Para que isso pudesse acontecer foi necessário disciplina, determinação, perseverança, obediência às normas eclesiais e paróquiais.

Esse ato, primeira comunhão, é dotado de carga emocional e espiritual, pois, acredita-se na transubstanciação, ou seja, na modificação da hóstia (farinha e água) no Corpo de Cristo, filho de Deus que viveu entre os humanos para resgatá-los do pecado e permitir a salvação.

Ao receber a hóstia consagrada, Cristo (o divino) entra em contato com o humano, fazendo perfeita comunhão entre os seres.

A igreja vem sofrendo alguns ataques, mas, digo que toda a preparação para a primeira comunhão, é também, capaz de moldar e preparar o ser humano para a vida em comunidade.

Na igreja também se aprende a obedecer regras, a respeitar leis, a compreender o que significa ter amor pelo próximo, a reconhecer erros e acreditar que sempre é possível recomeçar. Esse valores são essenciais, e, pouco a pouco, nossa sociedade se distancia e abre mão deles, pouco a pouco.

Estamos precisando de comunhão física e emocional com nossos pares, e, também, espiritual com o Supremo, o Divino.

Finalizo com as palavras do sacerdote: ‘quanto mais eu partilho o que tenho, mas eu ganho em ser’.

Não será esse o antídoto para a nossa sociedade consumista importar-se, de novo, com ser, antes de ter?

Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário

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