Ao mesmo tempo em que o crescimento do Brasil vem sendo freado pela política econômica desenvolvida pelo governo federal - os sucessivos ‘pibinhos’, o déficit do comércio exterior e a inflação que não cede são os maiores exemplos disso --, a maior empresa estatal brasileira continua sofrendo. A Petrobras, que vem perdendo ao longo dos anos o preço de mercado também por causa de administrações temerárias (o imbróglio da compra de uma refinaria nos Estados Unidos em valores bem acima do seu real valor e que até hoje não foi capaz de pelo menos amortizar o investimento é exemplar), agora precisa lutar com a equipe econômica de Dilma Rousseff para parar de sofrer sucessivos prejuízos.
Entre janeiro e setembro, o déficit da conta-petróleo, ou seja, daquilo que o Brasil importa e exporta em petróleo e derivados, foi de 10,9 bilhões de dólares. Um recorde histórico no país que em 2005 comemorou a ‘autossuficiência do petróleo’ com bumbo e campanhas publicitárias poucas vezes vistas na era Lula. Além disso, o rombo ainda é bem maior, já que há o déficit nos valores dos combustíveis entre os valores praticados no País e o que a estatal paga lá fora. A alegada necessidade de um reajuste nos preços da gasolina e do diesel parece se confirmar, sob o risco de vermos as finanças da empresa comprometidas.
Para ‘segurar’ a inflação - já que o reajuste da gasolina e do diesel irão criar um efeito cascata em praticamente todos os setores da economia brasileira --, o governo federal protela o referido reajuste que a empresa espera desde o início do ano. A presidente da Petrobras, Graça Foster, trava uma verdadeira queda de braço com o ministro da Fazenda Guido Mantega. E esta briga não deve acabar tão cedo. Para manter os preços nas bombas dentro dos níveis atuais, alega a presidente da estatal, a empresa precisaria verdadeiramente subsidiar os valores, de forma que os prejuízos sobram para seus cofres.
Sem capacidade de alavancar o setor produtivo - a não ser com as sucessivas desonerações de impostos que já não surtem os efeitos desejados --, o Ministério da Fazenda tem utilizado práticas pouco recomendáveis quando se trata de traçar uma política econômica expansionista e autossustentável. Em que pese inicialmente parecer bom para o consumidor final, o fato é que não é saudável é usar a Petrobras ou o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), por exemplo, para equilibrar as contas do governo, à custa do crescimento da economia do país.
A continuar assim, a chegada de 2014 pode sinalizar uma situação bastante difícil: produção em baixa, inflação em alta, crescimento estagnado e déficit na balança comercial. Um quadro bastante sombrio que pode se agravar ainda mais, já que dificilmente a presidente Dilma Rousseff irá tomar medidas consideradas impopulares - ainda que eventualmente necessárias - a poucos meses das eleições de outubro do ano que vem, quando ela pretende se candidatar à reeleição. Ainda que isso possa causar s prejuízos à saúde de um patrimônio nacional.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.