Polícia Militar desmente indústria da multa de trânsito em Franca


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Capitão Araújo, comandante do Pelotão de Trânsito da PM, na sessão da Câmara na semana passada, quando a Guarda foi proibida de multar
Capitão Araújo, comandante do Pelotão de Trânsito da PM, na sessão da Câmara na semana passada, quando a Guarda foi proibida de multar

A negativa da Câmara em autorizar a Guarda Civil a atuar na fiscalização do trânsito em Franca levou o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) a atacar a Polícia Militar, que tem a competência exclusiva para realizar o serviço, durante a semana passada. Ele disse ter a informação de que o Pelotão de Trânsito só trabalha de segunda a sexta-feira e que os integrantes aplicariam mais de 50 multas por dia. “Se tem cinco pessoas fazendo multa, é porque cada uma faz mais de 10 multas. Isso sim é uma indústria de multa”, disse o prefeito. A acusação irritou policiais e instalou um princípio de crise entre o governo e a corporação. O Comércio teve acesso às estatísticas oficiais da PM. Os números revelam que o prefeito falou sobre algo que desconhece. As autuações em escala industrial não procedem.

De janeiro a setembro, a Polícia Militar aplicou 35.977 multas nas ruas e avenidas de Franca. São motoristas que dirigiam falando ao celular, que avançaram o sinal vermelho, que não tinham habilitação ou que estavam bêbados. No mesmo período do ano passado, foram 28.331 autuações. A frota, em 2012, era de 204 mil veículos. Em julho deste ano, última atualização do Denatran, já eram 214.962.

Ao contrário do que foi afirmado por Alexandre Ferreira, todos os policiais do Batalhão - são cerca de 350 - podem aplicar multas, inclusive, aos fins de semana e feriados, 24 horas por dia. Considerando-se o número de infratores e de policiais aptos a multar, a média de autuações per capita não chega a uma por dia por PM. “Não tem como falar que a Polícia M ilitar só realiza a fiscalização com meia dúzia de policiais. É todo o efeito de Franca”, afirmou o capitão Marcus Alexandre Moraes de Araújo.

Segundo os dados obtidos com exclusividade pelo Comércio, o Pelotão de Trânsito respondeu por apenas 38% das multas aplicadas este ano. Em segundo lugar, com 29%, ficou a 5ª Companhia. Até mesmo os policiais da Força Tática, grupo que atua em ocorrências mais graves e que demandam enfrentamento, se depararam com infrações de trânsito e autuaram os condutores. “Não há indústria de multas. O que existe é um exército de infratores. Este exército, na maioria das infrações, conduz à perda de vidas no trânsito”, disse o oficial.

Infrações
Os abusos cometidos pelos motoristas em Franca são assustadores. Quase seis mil pessoas foram flagradas este ano dirigindo falando ao celular. Estavam sem o cinto de segurança outros 2,7 mil. Não tinham a CNH ou permissão para dirigir 1.787 pessoas. Quase mil foram multados porque ultrapassaram o sinal vermelho. O bafômetro pegou 477 bebuns ao volante. “Toda a fiscalização de trânsito é direcionada aos locais em que ocorrem mais acidentes para evitar que se percam mais vidas. Nossas autuações aumentaram e as mortes nos locais caíram. Isso mostra que a fiscalização está sendo eficiente.”

De janeiro a setembro do ano passado, a PM registrou 26 mortes. Este ano, foram 13. A estatística levam em consideração apenas os óbitos ocorridos na hora. Os acidentes deixaram 1,5 mil pessoas feridas em 2013. Outras 140 foram vítimas de atropelamento.

“A pessoa que alega que há indústria da multa precisa saber que, antes, há uma indústria da morte. O número de autuações está abaixo do que o necessário. Priorizamos a vida, não a arrecadação. Valor nenhum é revertido à Polícia Militar”, finalizou o capitão Araújo.

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