A bacia do Ribeirão dos Bagres está quase toda urbanizada (97%) e impermeabilizada. Suas várzeas foram eliminadas, seu leito estreitado e revestido e, pelo menos, dezessete afluentes foram entulhados e aterrados.
A impermeabilização do solo e a supressão das várzeas são as causas principais das enchentes.
Por isso, o canal do Ribeirão dos Bagres, mesmo com trechos ampliados, ainda verte suas águas pelas avenidas Hélio Palermo e Antônio Barbosa Filho.
O entulhamento mal feito de afluentes resulta em problemas construtivos crônicos: casas e ruas sujeitas a constantes recalques (abatimento de entulho/solo), causando trincas e rachaduras em fundações, pisos, paredes, vigas e lajes; bem como problemas advindos da umidade que atinge pisos e paredes, provocando a soltura de tacos, azulejos, reboco, tornando cômodos insalubres.
A eliminação da maioria dos afluentes e a retificação e revestimento do canal principal representam significativa perda estética e de qualidade de vida, contrariando a atual tendência de incorporação dos córregos ao tecido urbano.
Como queremos a cidade de Franca daqui 30 anos? Córregos entulhados e urbanizados? Córregos comprimidos pela urbanização, com canais mal ou não dimensionados, sujeitos a enchentes constantes?
Certamente os queremos minimamente preservados, permeáveis, vegetados, margeados por parques lineares, com espaços e equipamentos de lazer, esporte e cultura, dotados de dispositivos de detenção das águas das cheias; totalmente integrados à cidade, enriquecendo a paisagem, valorizando os imóveis adjacentes e voltados aos cidadãos locais.
Ressaltam-se as drenagens dispostas nas frentes urbanizáveis e o córrego do Espraiado, com bacia menos urbanizada, e que ainda permite planos de gestão objetivando ganhos construtivos (edificações em terrenos seguros), hidrológicos (eliminação das enchentes), estéticos, ambientais e econômicos.
Paulo Puccinelli
Engenheiro de minas, consultor em água e solo
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