Devemos ser santos


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A solenidade de todos os santos e santas de Deus é um dia para celebrarmos a vitória daqueles que nos precederam na fé e partiram desta vida para junto de Deus. ‘Estes são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e branquearam suas vestes no sangue do Cordeiro’, viveram a filiação divina. Pelo cumprimento das bem-aventuranças, foram proclamados santos. Depois de termos celebrado todos os fieis falecidos, hoje celebramos aqueles que, pela morte, com certeza, estão em Deus. O tom da celebração de hoje é de alegria e de esperança. Alegria porque sabemos que muitos são os que estão na eternidade com Deus; esperança porque a vitória deles nos anima a continuar no caminho da santidade. Quem são os santos? Santo é todo discípulo, quer esteja ele já com Cristo no céu, quer viva ainda na face da terra.

Primeira Leitura — Apocalipse 7: A santidade não é condição superior que se alcança com esforços ascéticos. É puro dom de Deus. A leitura quer levar-nos a elevar os olhos para a condição santa à qual o Pai nos destinou.
O livro do Apocalipse diz que, nos céus, encontra-se livro no qual um anjo toma nota de todos os sofrimentos, de todas as lágrimas dos homens. Está lacrado com sete selos que ninguém pode quebrar. A passagem narra o que acontece depois do rompimento do sexto selo.
Um anjo vem do Oriente, tendo na mão o selo de Deus vivo, e imprime sinal inapagável sobre a fronte dos servos do Senhor. Não são privilegiados, não foram poupados das provações, das vicissitudes. São colocados em nova condição, santa. Pertencem a Deus. Assimilaram os pensamentos, as escolhas de Deus. A doença, a dor, a traição não são derrotadas nem absurdas, são momentos de amadurecimento e de crescimento.
Todos estão em pé diante do trono do Cordeiro, estão revestidos de vestes brancas e têm palmas na mão. A veste branca é o símbolo da alegria e da inocência, as palmas são o sinal da vitória. Jesus, o Cordeiro imolado que doou a própria vida agora vai adiante, como um pastor, de todos aqueles que condividem sua escolha de amor.

Segunda Leitura — 1ª Carta de João 3: A vida de Deus que o cristão recebe no batismo é realidade espiritual. A leitura diz que vida divina é dom gratuito do Pai. Depois, recorda verdade consoladora: o Pai não aguarda o dia da nossa morte para dar-nos a vida divina, ele no-la dá já hoje. Quando pudermos contemplar Cristo entenderemos também quem somos realmente. Diante dele, nossos olhos se abrirão para compreender o que Deus fez em nós.

Evangelho — Mateus 5: Hoje acompanhamos Jesus ao alto da montanha para escutar suas propostas de felicidade, de sucesso, de bem-aventurança. Bem-aventuranças não são princípios abstratos, mas versam sobre situações concretas de que segue a Cristo.
Às primeiras pertencem a pobreza, o pranto ou aflição, a fome e a sede, os maus tratos e a perseguição, situações de sofrimento físico que o povo de Deus padece por causa de sua dedicação à justiça, à construção do Reino de Deus.
O objeto da bem-aventurança de Jesus não são as situações, mas as pessoas que não deixam derrotar por elas. Assim, o começo do ato de instituição do novo povo de Deus é um canto às pessoas que sofrem por fazer possível o Reino de Deus.
Conforme os estudiosos da Bíblia, as oito bem-aventuranças têm como chave de interpretação a primeira e a oitava: o Reino dos Céus é prometido aos pobres e aos perseguidos por causa da justiça. Uma nona bem-aventurança, nitidamente diferente dessas oito, desenvolve a oitava e supõe a situação concreta da Igreja primitiva perseguida.

Monsenhor José Geraldo Segantin
Administrador Diocesano - segantin@comerciodafranca.com.br

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