Criança de 10 anos morre em UBS 24 horas e família acusa médico


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Pai da criança, o pespontador Adilson Silveira de Jesus, mostra receita que médico passou
Pai da criança, o pespontador Adilson Silveira de Jesus, mostra receita que médico passou

A morte repentina de um menino saudável de 10 anos na madrugada de ontem deixou familiares, amigos e vizinhos transtornados e revoltados. O garoto Leandro Xavier Silveira, morador do Jardim Aeroporto II, morreu na madrugada de ontem. Segundo boletim de ocorrência registrado por funcionários da UBS (Unidade Básica de Saúde) 24 horas do Jardim Aeroporto, a vítima estava em “estado de desidratação gravíssimo”. Mas, laudo do IML (Instituto Médico Legal) aponta apendicite como causa mortis principal, e choque séptico como a secundária. Com isso, a família pretende processar a Prefeitura por erro médico.

Segundo vizinhos, Leandro tinha uma “saúde de ferro”. Mas, no começo desta semana, começou a sentir uma dor de barriga acompanhada por uma diarreia leve.

A história mudou na quarta-feira, quando a dor piorou. Então, seu pai, o pespontador Adilson Silveira de Jesus, 48, o levou para a UBS 24 horas do Jardim Aeroporto por volta das 16 horas, onde foi atendido pelo médico Arnaldo Sérgio Lima. “Ele apalpou a barriga do meu filho, falou que ele estava com gases. Depois, passou remédios para gases e o liberou”, afirmou o pai. O médico nega que seu diagnóstico tenha sido esse (leia mais em texto nesta página).

Às 2h30 da madrugada de ontem, Leandro reclamou que a dor estava insuportável. Adilson e um de seus filhos, o pespontador Lucas Silveira, 23, correram com o menino para a UBS do Aeroporto, mas já era tarde demais.

“O médico (o plantonista da UBS, Adair Tadeu Carielo) falou que ele já estava entrando em coma. O Samu chegou quando estava saindo sangue do nariz do meu irmão. Eles tentaram reanimá-lo, mas os médicos falaram que não dava mais”, contou Lucas. Leandro morreu às 3 horas da madrugada de quinta-feira.

No começo da tarde de ontem, o velório de Leandro era só desolação. Adilson mal conseguia falar, e teve de ser medicado porque sua pressão havia subido. Poucas horas depois, saiu o laudo médico, apontando apendicite como a causa da morte de Leandro e, para os familiares, confirmando a suspeita de erro médico.

“Vamos processar o médico. Isso está errado. Ele (o médico) deveria ter internado meu filho, dado um soro para ele, não mandar para casa. Tudo isso está errado, está errado”, revoltou-se Adilson. “Vamos procurar os nossos direitos, para que isso não aconteça com outras crianças”, completou a namorada de Adilson, a coladeira Pérsida Maria Soares, 49.

Familiares, vizinhos e amigos são unânimes ao afirmar que Leandro era um menino bom e educado. Não gostava muito de brincar na rua, até porque o pai não deixava. Seu passatempo preferido era jogar videogame. O enterro de Leandro será hoje, às 9 horas, no Cemitério Municipal de Patrocínio Paulista, onde sua mãe, morta há cerca de quatro anos, também está sepultada.

Autoridades
Em nota, a Prefeitura informou que o suporte necessário foi prestado ao menino por meio das equipes da UBS e do Samu. A Secretaria de Saúde já abriu um procedimento administrativo para apurar o caso.

O investigador-chefe do 4º Distrito Policial, Ricardo Ferrarezi, afirmou que a Polícia irá encaminhar o caso para a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher).


‘Os sintomas são dessa virose que está dando’
O médico pediatra Arnaldo Sérgio Lima negou que tenha diagnosticado Leandro Xavier Silveira, 10, com gases. “O paciente apresentava um quadro de vômito, diarreia e dor abdominal. Os sintomas são dessa virose que está dando no momento, que dá muita distensão e dor abdominal. Estamos tendo de 50 a 60 casos por dia na cidade”, afirmou o médico.

O profissional disse que também não encontrou sintomas de apendicite no menino. “No exame clínico, não tinha sinais de apendicite. Ele não estava com sinais de processo inflamatório nem febre. Na palpação, o abdômen não indicava essa condição. Nesses casos, minha orientação foi medicar o vômito, a diarreia e a dor abdominal e sempre procurar o serviço (médico) caso ele não melhorasse”, disse. Os remédios receitados eram para o vômito (metoclopramida) e dor (butilbrometo de escopolamina e simeticona).

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