O alerta do FMI


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Não se iluda, meu caro leitor. O mar não está para peixe, como diria o filósofo. Em matéria de economia brasileira, então, o panorama parece estar mais para tempestade que bonança, sobretudo se atentarmos para o que afirma o FMI (Fundo Monetário Internacional) no seu relatório sobre a política econômica do país. O cerne da análise está centrado em ‘estímulos tributários do governo a manobras com receitas extraordinárias e outros ajustes para mitigar os custos desses estímulos e fechar a conta do superávit fiscal’.

O relatório, parte da revisão anual que o FMI faz das condições e perspectivas da maior parte dos 188 países membros, é explícito quanto aos padecimentos da economia brasileira: pressão inflacionária, gargalos no mercado de trabalho, produtividade estagnada, além do baixo nível dos investimentos.

Os técnicos do Fundo entendem que a inflação deverá situar-se em torno de 5,75% em 2013, só convergindo para a meta (4,5%) em 2014. Esperados novos investimentos e ampliação da capacidade produtiva estão entre os fatores que poderão atuar favoravelmente nesse quadro. Mas, há outras preocupações, adverte o FMI: o excesso de demanda, especialmente de consumo, favorecido pelo aumento da renda familiar, facilidade de crédito e expansão da despesa pública, pequena capacidade de resposta da indústria brasileira e fragilidade da balança comercial. A pressão inflacionária é lembrada também pelo encarecimento dos ‘não comercializáveis’, como os serviços. A propósito, aumentaram preços dos serviços de limpeza doméstica e reparos residenciais. Tudo contrasta com o panorama que as autoridades nos ‘vendem’ com os números oficiais.

A maior preocupação deve ser a inflação. Retorno a padrões de investimento compatíveis com as necessidades do país, dinamização das exportações e melhoria na produtividade são, também, questões a serem encaminhadas.

Vicente de Paula Oliveira
Economista — FEA/USP

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