Todos os dias ocorrem manifestações, a maioria violentas, totalmente inaceitáveis numa sociedade organizada.
Manifestantes reclamam casa, reforma agrária, saúde, transporte e protestam contra transgênicos, desmatamento e outros temas. Invadiram um laboratório e retiraram uma cães usados em pesquisas, com as quais não concordam.
A índole do brasileiro é crítica. O hábito é falar contra o governo e desfazer da ordem constituída.
Nas últimas décadas, os que antes eram acusados de querer uma revolução comunista, pregaram o ultraliberalismo, conscientes que, na democracia, tudo pode. Agora, que estão no poder, não conseguem fazer cumprir o que ajudaram a constituir. Presídios vivem sob poder paralelo de organizações criminosas que, contrariadas, atacam e matam policiais e autoridades.
Menores são incontroláveis e cooptados para o crime. Governos, casas legislativas estão manchados por corrupção.
E o povo, a quem se prometeu democracia de direitos sem deveres, reage e, infiltrado, acaba promovendo desordem, vandalismo e instabilidade. Grupos radicalizam, querendo impor pensamentos e interesses.
O patrimônio — público e privado — tem sido duramente atingido. O cidadão comum vive o sobressalto de sair de casa sem saber se chega ao destino ou se verá no meio da guerra urbana que pode lhe custar até a vida.
As manifestações tornam-se criminosas e autoridades parecem impotentes para controlar. O clima é de guerra civil. Pior. Nas guerras há um objetivo a atingir.
Algo de sério e urgente tem de ser feito. Se as autoridades não conseguem exercer o dever de fazer cumprir as leis, há que se buscar novo pacto com a sociedade para o estabelecimento de legislação mais coincidente com o que se tem que fazer.
Uma constituinte, talvez, fosse a solução, já que sob a égide da atual Carta Magna não se consegue manter a ordem pública e social.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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