O ilusionista


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Platão, 2500 anos atrás, lançou as bases da Epistemologia, a teoria do conhecimento. Disse que o que nós conhecemos não é o mundo físico, mas a versão organizada, estruturada e categorizada por nossa mente. Antes de perceber nossa mente precisa assimilar e interpretar os dados brutos que chegam pelos sentidos. É a partir do som, da imagem, do texto, do cheiro, da textura, que nosso cérebro fará deduções. Cruzará esses dados com memórias e experiências para colocar algum sentido nas coisas que acontecem. O processo depende, em grande parte, do que temos na cachola, do que aprendemos com nossas experiências. Quanto mais repertório, mais refinada será nossa interpretação do mundo. Se você só lê revista de celebridades, frequenta baladinha e assiste o Big Brother, terá limitado repertório para entender o mundo. O mesmo acontece com seu linguajar. Se você não lê, não conseguirá expressar seus argumentos naquela reunião, diante daquele cliente ou da pessoa amada. Simples, né? Quanto mais pobre é o repertório, mais fácil ser enganado pelos ilusionistas.

Ilusionistas me fascinam, mas só são bem sucedidos quando conseguem comandar nossa atenção. Enquanto focamos a atenção na fumaça, nos espelhos, na ajudante, no gesto largo, na mão em movimento ou no lenço colorido, o ilusionista realiza o truque que nos engana. Atenção é o nome do jogo. Agora imagine o mundo de hoje, repleto de “ilusionistas” que usam cores, explosões, cheiros, luzes e formas para atrair atenção. Desviam sua atenção para bundas pra te vender cerveja. Desviam para carrões pra vender cigarros. Fazem com que vejamos a realidade - e tomemos decisões - que eles quiserem.

Para escapar. não existe mágica. É ampliar o repertório para fazer reflexões mais ricas e julgamentos mais adequados. Ao contrário continuará perplexo com planos que não existem, obras prometidas e riquezas inviáveis. Nem perceberá quando baterem sua carteira.

Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante, cartunista
 

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