Não maltratar


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Uma das regras mais elementares da cultura hinduísta e budista, seguida pelo jainismo, consoante Lou Marinoff (Mais Platão. Menos prozac), é a que ensina não ferir, não maltratar, não ofender. Em pleno século XXI, o que podemos aprender com esse velho princípio oriental?

O que nos legou Mahatma Gandhi (1869-1948), com sua doutrina da não violência. Para ele a ahimsa ou não-violência significa ‘(...) não renunciar a toda luta real contra o mal. A não-violência, tal como eu a concebo, empreende campanha mais ativa contra o mal que é a Lei de talião, cuja natureza mesma traz como resultado o desenvolvimento da perversidade. Eu levanto, frente ao imoral, oposição mental e, por conseguinte, moral. Trato de amolecer a espada do tirano não cruzando-a com aço mais afiado, mas defraudando sua esperança ao não oferecer resistência física alguma. Ele encontrará em mim resistência da alma. Essa resistência primeiramente o cegará e em seguida o obrigará a dobrar-se. E dobrar-se não o humilhará, mas o dignificará (...)’

Em outras palavras, devemos agir e procurar não causar nenhuma ofensa, nenhum mal, nem para seres humanos, nem para animais. Não ofender, salvo em caso de necessidade absoluta, nenhum ser sensível. Reconhecer que a bondade de uma pessoa ‘é inversamente proporcional ao mal que ela causa’ para outros seres humanos, para a natureza, animais ou mediante utilização indevida de instrumentos tecnológicos.

Tudo que fere ou danifica os outros, fora dos extremos casos de absoluta necessidade, é mau. Em pleno século XXI, não há como interpretar o princípio daahimsa (não ferir) senão de forma ampla, porque é com os seres humanos, os animais, a natureza e a tecnologia que conviveremos o resto da nossa vida, nós e todas as gerações que vão nos suceder. ‘Eu sou eu e o que me cerca. Se eu não preservar o que me cerca, eu não me preservo’, como disse o filósifo espanhol Ortega y Gasset.

Luis Flávio Gomes
Jurista
 

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