Milhares de francanos esperam, há anos, por uma cirurgia eletiva. Apesar de terem sido realizados quase 4.300 procedimentos este ano - incluindo pacientes de cidades da região, a fila ainda é grande. Soma 6.654 pacientes aguardando o procedimento. Para atender todos e acabar com a espera, seria necessário cerca de um ano e dois meses realizando cirurgias na mesma proporção de 2013 (média de 480 por mês com recursos do Estado e do próprio munícipio) - sem que nenhum novo caso fosse registrado. Mas não é o que acontece. A cada dia, 33 novos pacientes entram na lista de eletivas (consideradas não urgentes), como de hérnia, garganta, vesícula, entre outras. Enquanto a operação não é agendada pela rede pública, os pacientes convivem com dores e na dependência de analgésicos.
A demora tortura. O pespontador Antônio Carlos Batista Souza, 50, aguarda uma cirurgia para a correção da apnéia do sono (ele para de respirar por alguns segundos enquanto está dormindo) e outra para a retirada das amígdalas, há quatro anos. A dificuldade para respirar enquanto dorme tem deixado o pespontador acordado por incontáveis madrugadas. “Quando não consigo dormir, amanheço cansado, com dores de cabeça e o rosto inchado. Fica difícil de trabalhar”, disse ele, que tem uma banca de pesponto.
O serviços gerais Luís Carlos da Silva, 45, aguarda por uma cirurgia no joelho esquerdo há quase dois anos. As fortes dores fizeram com que ele fosse afastado do trabalho. “Não dá para produzir assim. Não tenho condições de pagar por uma cirurgia nem tenho como me manter. Eles (INSS) cortaram meu auxílio doença”, lamentou.
Por causa da demora para conseguir uma cirurgia eletiva pelo SUS (Sistema Único de Saúde) Luís decidiu se cadastrar nas listas de dois Estados diferentes - São Paulo e Minas Gerais. Primeiro, ele se cadastrou na mineira de São Sebastião do Paraíso, em seguida, procurou a Secretaria da Saúde de Franca. “A que sair primeiro eu opero”, disse.
Segundo a secretária municipal da Saúde de Franca, Rosane Moscardini, R$ 3 milhões de recursos próprios devem ser investidos em eletivas até o final do ano. Além disso, um convênio entre a Santa Casa de Franca e a Secretaria Estadual de Saúde prevê a realização de 222 cirurgias por mês. Este ano foram 1.499 intervenções com o dinheiro do Estado e outras 2.796 com recursos da Prefeitura.
‘Exportação’
A Prefeitura de Franca tem “exportado” pacientes para a região, onde compra os serviços médicos para realização das cirurgias eletivas. As Santas Casas de Patrocínio Paulista e Ituverava têm recebido pacientes francanos. A justificativa da Saúde é a falta de capacidade operacional da Santa Casa de Franca.
Migração
A demora para conseguir uma cirurgia nos olhos - que desobstruiria o canal da lágrima - levou o aposentado Francisco Basílio Lopes Filho, 59, a procurar atendimento na rede particular de saúde. “Vou fazer a cirurgia pelo Regional. No SUS, cansei de esperar”, disse. O aposentado afirma que aguardou a cirurgia pela rede pública por mais de quatro anos e não foi atendido.
Sem previsão
A secretária de Saúde Rosane Moscardini disse que cirurgias de baixa e média complexidade, como catarata e hérnia, são realizadas com mais rapidez. Cirurgias de alta complexidade, como as ortopédicas, demoram mais porque “exigem que o paciente fique, pelo menos, três dias internado”. A secretária explica que essas cirurgias demandam disponibilidade de leitos, o que nem sempre acontece. “Precisamos considerar a capacidade operacional da Santa Casa, já que atende urgência e emergência”, disse. Com os obstáculos, quem está à espera da cirurgia e depende do sistema público, fica de mãos atadas e lhe cabe, apenas, esperar.
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