É domingo, o dia do Senhor que nos ajuda a repor as forças para enfrentar confiantes a semana que chega. Hoje é dia de ir à missa e escutar a Palavra de Deus que vem para orientar a nossa vida. Quais são os ensinamentos que hoje receberemos? Estão nas leituras reservadas para hoje: Eclesiástico 35, IIª Carta a Timóteo 4, Lucas 18.
1ª Leitura — Eclesiástico 35: É difícil conseguir justiça nos tribunais. A lei é igual para todos, mas,contratar bons advogados é para poucos, e juízes nem sempre são imparciais.
Deus, que pronunciará o julgamento definitivo e inapelável, que espécie de juiz é? No Antigo Testamento é ordenado a quem, em Israel, administra a justiça: ‘Não aceitarás presentes, porque o presente cega os olhos dos sábios e corrompe as palavras dos justos’. O Eclesiástico condena duramente esta falsa religião: ‘Não procures corromper o Senhor com doações, nada esperes de um sacrifício injusto’. Depois é este trecho que explica o motivo da sua condenação. ‘Porque o Senhor é teu juiz e ele não faz distinção de pessoas’. Para ele, não mostrar preferências quer dizer: colocar-se do lado do pobre. A única condição que o comove é a pobreza: ‘Ele ouve a oração do oprimido’. Deus é justo porque se enternece diante do pobre. Quando se apresenta alguém sem merecimento para mostrar, e que só pode contar com suas misérias, ele se comove e sempre pronuncia uma sentença de salvação.
2ª Leitura — IIª Carta a Timóteo 4: Poucos antes de morrer, Paulo, encarcerado em Roma, escreve ao amigo Timóteo, seu companheiro na formação das primeiras comunidades cristãs. Comportou-se, diz ele, como atleta que participa de competições num estádio. Os atletas que devem lutar ou correr não fogem de sacrifício, submetem-se a renúncias e se esforçam até o espasmo para conquistar a vitória. Paulo tem certeza que agiu assim: empregou suas energias pela causa certa, pelo Evangelho: ‘Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé’. A quem vencia, era entregue uma coroa. Paulo tem certeza que Deus entregará uma a ele quando for acolhido na morada eterna. A coroa será também oferecida por Deus ‘a todos os que, como ele, lutaram pela justiça.
Evangelho: Lucas 18: Lendo, temos certeza de que não temos nada a aprender com o fariseu antipático, orgulhoso e vaidoso, que despreza os outros e se julga justo, sem o ser de verdade. Quem era o fariseu? Um hipócrita? Não! Era correto, íntegro, honesto. É certo que se sentia envaidecido pela sua retidão e desprezava os pecadores.
E o publicano? De forma alguma humilde e bondoso. Era ladrão diplomado, explorador nojento, chacal! Não roubava dos ricos, mas sangrava os pobres impondo impostos exorbitantes aos mais pobres.
Penso que nossa simpatia pelo publicano diminui bastante e que também a raiva e a aversão que sentíamos pelo fariseu foram repensadas. Deus pode acumular de bens só os pobres. Jesus não afirma que o publicano era bom e o fariseu malvado e mentiroso. Afirma que o primeiro ‘foi justificado’, isto é, tornou-se justo pelo poder de Deus. O segundo voltou para sua casa como antes, com as suas boas obras, mas sem que Deus conseguisse justificá-lo.
Qual a falha do fariseu? O fariseu não pede a Deus para ser justificado. Diante de Deus o homem sempre está de mãos vazias. Quem se comporta como o fariseu não é mau, é só simplório.
O publicano não deve ser considerado modelo de vida virtuosa. É o pobre que oferece a Deus só o seu coração ‘alquebrado e abatido’, que o ‘Senhor não despreza’. A consequência da “religião dos merecimentos”: o fariseu não deve renunciar à vida virtuosa, mas à falsa ideia que tem a respeito de Deus.
Monsenhor José Geraldo Segantin
Administrador Diocesano - segantin@comerciodafranca.com.br
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