Rösti na rede


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Todo segredo reside em colocar a batata ralada  às colheradas na frigideira, apertar com jeito, deixar fritar bem de um lado e depois virar do outro, o que pede destreza ou, para  alguns, técnica
Todo segredo reside em colocar a batata ralada às colheradas na frigideira, apertar com jeito, deixar fritar bem de um lado e depois virar do outro, o que pede destreza ou, para alguns, técnica

Dia desses minha funcionária, Elza, chegou em casa com uma revista aberta na página onde se viam fotos de um prato que lhe chamara a atenção. “Rösti... Conhece?” Olhei as imagens, lindas por sinal, diria mesmo sinestésicas, para fazer justiça ao ditado que nos lembra de que os olhos comem primeiro. Respondi que sim, em alguns países europeus aparecem em muitos cardápios, como acompanhamento de carnes e mesmo prato único, desses com os quais matamos a fome no meio da tarde. “Por que nunca fez para sua página no jornal?” É mesmo, pensei; por que não? E como sempre é tempo de reparar esses lapsos, vai hoje a receita de rösti, não sem antes dizer por onde passei até chegar nela.

Primeiro chequei os ingredientes e o modo de fazer na revista que Elza me trouxera. Achei estranho encontrar ovos, e muitos. Então não seria rösti e sim fritada, pensei com meus botões. Resolvi ir à internet e, de repente, me vi num site de discussão sobre o prato. Fiquei impressionada ao perceber como um item tão simples de cardápio despertava entre falantes de língua francesa postagens acaloradas, irônicas, radicais e por vezes impertinentes.

Apareceu de tudo a respeito do prato, numa discussão entre Lili, parisiense do banlieu e Moustic, suíço do cantão de Berna. Vou resumir a ópera, com rápidos relatos dessas falas. “Rösti existe desde a noite dos tempos.// É bem provável que tenha sido feito por marinheiros no navio espanhol que levou a primeira carga de novos produtos da América até o porto de Sevilha.// Tem outro nome : Napoléon torte (sic)// Em Genève servem com bacon frito. //É patrimônio da cozinha suíço-alemã// Prato simples que nós, pobres moradores das cidades, comemos com salada verde.// Não se trata de Grande cozinha, mas de Excelente cozinha.// Na sua origem a receita era feita para o almoço, com as sobras do jantar.// Tem de cozinhar na véspera. // Cozinhar antes é heresia. //Cruas têm gosto ruim. //Se você não cozinha antes, vira purê.// Se cozinhar antes é que vira, rapée e não rösti. // É um absurdo falar em verdadeira receita de rösti . //Sinto muito se minhas palavras soam professorais: apenas respeito os propósitos de um chef suíço. //Tem de usar algo para dar liga, ovos ou farinha. //Mais heresia.”

Para trazer à página a receita de hoje, fiz uma média entre o que os internautas disseram, o que li no Larrousse Gastronomique, as informações da revista da Elza e o roteiro seguro da Rita Lobo, uma de minhas maiores referências em gastronomia. Cozinhei as batatas por dez minutos, deixei esfriar. Levei à geladeira por duas horas. Descasquei, passei pelo ralo, lado grosso (numa segunda vez, cozinhei na véspera, deixei na geladeira, descasquei e ralei no dia seguinte; achei que ficou ainda melhor). Untei com manteiga as duas partes da omeleteira. Numa delas coloquei metade da batata ralada, polvilhei sal, pimenta e noz moscada, salpiquei o cheiro verde picadinho, apertei bem com a colher, completei com a outra metade, apertei bem novamente e levei ao fogo médio. Deixei dez minutos na chama. Foi o suficiente para cozinhar e dourar. Virei a omeleteira, deixei mais dez minutos, para que a outra superfície ficasse também dourada. Coloquei num prato e cortei em quatro antes de servir. Achei que Lili e Moustic poderiam gostar. É bom lembrar que você pode juntar com o cheiro verde, pedacinhos de presunto ou queijo, pra variar.

Ingredientes

4 batatas grandes tipo Asterix
1 colher (sopa) de manteiga
Sal
Pimenta-do-reino
Noz-moscada
Cheiro verde

porção: 4
dificuldade: média
preço: econômica

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